Maju Coutinho sai em capa de revista e fala sobre racismo e superação

Veja alguns trechos da entrevista da jornalista que foi um marco na militância contra o racismo neste ano com a hashtag #somostodosmaju.
maju coutinho

Foto: Reprodução/RedeGlobo

Ela foi um marco no telejornalismo brasileiro e é parte do movimento que a Rede Globo fez para deixar o "Jornal Nacional" menos carrancudo, mais "gente como a gente". Assim como Tais Araújo e Cris Viana, foi vítima de racismo nas redes e deu o que falar. Estamos falando da Maria Júlia Coutinho, a famosa "Maju", que apresenta a previsão do tempo no JN.


Aos 37 anos, bem-sucedida, a jornalista fez o primeiro discurso de autoafirmação que o Jornal Nacional, da Globo, pôs no ar. No episódio, os colegas William Bonner e Renata Vasconcellos lançaram a hashtag #somostodosmaju, que se espalhou freneticamente pelas redes sociais. O caso está na Justiça, e os criminosos que a mandaram voltar para a senzala e comer bananas como uma macaca ainda não foram punidos.

De lá para cá, a jornalista vem sendo tomada como modelo de audácia. Naquele dia, preocupada, ligou para a mãe. “Ela se abalou, ficou mal. E eu fechei a porta do quarto e chorei abraçada com o meu marido (o publicitário Agostinho Paulo Moura). Um choro por me sentir também acariciada por milhares de pessoas que se solidarizaram.”

Ela tem muitos fãs brancos entre mais de 100 mil seguidores no Twitter e se alegra quando crianças negras contam que querem ser como ela. “Ou como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Zileide Silva, Glória Maria...”

Por essas e outras Maju está na capa da revist Cláudia deste mês. Confira alguns trechos super interessantes da entrevista:

maju coutinho cláudia

Foto: Divulgação

Sobre arsenal de ofensas recebidas em julho

“Muita gente imaginou que eu estaria chorando pelos corredores (...) Eu já lido com essa questão do preconceito desde que me entendo por gente (...) Fico muito indignada, mas não esmoreço, não perco o ânimo (...) A militância que faço é o meu trabalho, com carinho, dedicação e competência”.

Sobre a força para as negras

“Por anos, me submeti a um rito para ser aceita: esquentava no fogão um pente de metal e alisava o cabelo. Fora dos pequenos círculos, era difícil assumir a identidade. Precisa coragem para usar o crespo, símbolo de estar à margem”, lembra. “Nos anos 1990, vi na capa da revista Raça uma negra com ar decidido, de tranças afro, enormes e lindas, e falei: ‘Eu quero isso’. Funcionou como uma permissão para ser eu mesma.”

Sobre casamento e filhos

“Ficamos muito em casa. Agostinho (faz filosofia), precisa estudar”. Pode ser que seja mãe, mas não agora. “E, se não vier, ok. Já me sinto realizada afetiva e profissionalmente.”

Por um mundo com mais mulheres fortes como Maju! <3

Por Thamirys Teixeira

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