Jade Barbosa - atleta enfrenta dificuldades!

Jade Barbosa  atleta enfrenta dificuldades

foto Ricardo Bufolin

Ela tem apenas 17 anos - mas já é uma guerreira. Jade Barbosa, uma das estrelas da ginástica olímpica brasileira, é sinônimo de força. E não é apenas porque ela consegue se pendurar em barras, dar mortais, piruetas e desafiar a gravidade. A força dela é do tipo que desafia o próprio corpo, a dor física e agora também a decepção com o que considera falta de apoio da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) para se recuperar.

Jade se machucou, em agosto do ano passado. E antes de 2009 começar, recebeu a notícia de que a lesão no punho direito era gravíssima e o estado era crítico. Os médicos que a avaliaram na época disseram que ela deveria até sair do país, para continuar o tratamento. Atleta do Flamengo, desde então não treina usando a mão direita. O pai da menina, César Barbosa, lamenta a falta de comprometimento e apoio da CBG com relação ao estado da filha. Segundo ele, foi treinando pela seleção, em Curitiba, PR, que ela se machucou. “O que eles fazem é um descaso com o atleta. Eu acho que deviam, pelo menos, entrar em contato, tentar saber como ela está”, diz.

A Confederação Brasileira de Ginástica, por intermédio de sua assessoria de imprensa, informa que todos os ginastas integrantes da Seleção Brasileira sempre tiveram apoio da CBG. “Na realização da Seletiva 2009 para a formação da Seleção Brasileira, o Flamengo encaminhou um atestado médico informando a ausência de Jade. A CBG acatou e torce pela recuperação da nossa atleta, para que seja avaliada”, diz a nota enviada ao Vila Glitter.

A reportagem tentou entrar em contato com o Flamengo e a secretaria de esportes olímpicos, mas não teve retorno. O pai de Jade, no entanto, não tem qualquer reclamação a fazer com relação ao tratamento do clube. “Todo mundo sabe das dificuldades do Flamengo. Eles já fizeram e fazem muito pela Jade, que está com eles há 11 anos”.

Jade Barbosa

foto Ricardo Bufolin

César se orgulha da força de vontade da filha que, desde cedo, batalha pelo sonho de ser atleta. “Ela diz que vai para mais uma Olimpíada e eu acredito”, afirma. Dos 466 atletas que foram até Pequim disputar ginástica artística, no ano passado, Jade foi eleita a 8ª mais completa. Mas, mesmo assim, é difícil viver apenas de patrocínios e (falta) de apoio. Por isso, ela e o pai decidiram pensar numa renda extra, que pudesse ajudar nos custos - e também ser opção para o futuro da menina e do irmão, Pedro, que também já inicia na ginástica.

“Montamos uma empresa, com o nome da Jade, para vender artigos esportivos e de fitness. Tudo para colocá-los numa posição melhor e não precisar depender de patrocinadores”, explica César, que é arquiteto e desenhou os modelos vendidos hoje no site da menina.

Vida de atleta

Nascida no Rio de Janeiro e criada em Copacabana, Jade dava trabalho desde criança, com agitação e peraltice. Ela ainda estava na creche quando começou a nadar, no extinto clube Sírio e Libanês, em Botafogo. Depois, foi para o Clube Israelita Brasileiro, mas nem a rotina na água diminuía a agitação da pequena. Foi então que os pais resolveram colocá-la na ginástica artística. Do CIB, Jade foi direto para o Flamengo.

Mas antes de se tornar a estrela da ginástica, a menina precisou aprender a viver sem a mãe, vítima de um aneurisma quando a menina tinha apenas nove anos. No meio de tudo isso, o esporte serviu de cano de escape, além de uma forma de desviar a tristeza. O apoio do pai, que duplicou a jornada, foi fundamental. Ela treinava duro, se dedicava aos estudos. Muitas vezes, exausta, Jade voltava para casa com as mãos em carne viva pelos exercícios nas barras assimétricas. E dormia de costas, com as palmas machucadas voltadas para cima. Desde cedo viu que vida de ginasta não era nada fácil.

Em 2003, Jade viu Daiane dos Santos fazer o “duplo twist carpado” na televisão. E, no dia seguinte, foi pedir ao técnico Roger Medina para fazer o mesmo, no treino do Flamengo. Na segunda tentativa já conseguiu. Em 2004, no Campeonato Pan-Americano Juvenil, em El Salvador, foi ouro no solo e prata no salto. No mesmo ano, no Brasileiro Juvenil realizado em Santa Catarina, foi campeã no individual geral, além de campeã no salto e no solo, e terceira colocada nas assimétricas e na trave.


Jade tinha apenas 12 anos e já era destaque por ser a mais jovem ginasta do mundo a conseguir executar o duplo twist carpado. Em 2005 , aos 14 anos, foi se juntar à equipe brasileira permanente, no Centro de Excelência da Confederação Brasileira de Ginástica, em Curitiba. A partir dali, só alegria: nos Jogos Sul-Americanos, em 2006, e no Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Na seqüência, participou do seu primeiro Mundial de Ginástica Artística de Stuttgart, na Alemanha, de onde voltou como a terceira melhor ginasta do planeta e garantiu a indicação de melhor atleta do país no ano, pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Em 2008, participou das Olimpíadas de Pequim - e renovou o contrato com o Flamengo.

O sonho de ser campeã olímpica ainda não veio. E a menina que adora bife, arroz e batata frita, mas controla alimentação como pode, agora precisa vencer mais um desafio, contra o próprio corpo. E, em busca de recursos para o tratamento da lesão grave no punho direito, decidiu pedir a ajuda aos fãs.

A atleta, que ainda não sabe se terá que operar o local e espera uma consulta a ser realizada na semana que vem, está fazendo uma promoção de camisetas, na sua loja virtual, para arrecadar fundos. Os modelos vão de R$ 25 a 49,90 e podem ser encontrados no site www.jadebarbosa.com.br.

Hoje, Jade treina todos os dias da semana, com exceção do domingo. Entre o treino da manhã e da noite, vai à escola e se prepara para o vestibular, no final do ano. Ainda não sabe se escolhe Educação Física ou Desenho Industrial. Entre uma profissão e outra, sabe que é ginasta. E sonha com o dia em que vai colocar novamente as duas mãos na barra ou no chão.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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