Gordinhas não aprovam o papel de Perséfone

Persefone

Foto: Divulgação

As constantes humilhações que Perséfone, personagem de Fabiana Karla em "Amor à Vida", tem sofrido estão passando dos limites. Pelo menos essa é a opinião de algumas blogueiras entrevistadas pelo site da revista "Caras".

Até agora a personagem só sofreu. Foi rejeitada por vários homens, foi usada pela amiga gostosona que queria uma cama para transar com o namorado e ainda carrega os rótulos de gorda e virgem.

Segundo a jornalista Paula Bastos, criadora do blog "Grandes Mulheres", a personagem demonstra, sim, o preconceito que essas mulheres geralmente sofrem, mas não mostra que essa situação pode ser superada.

"A personagem é praticamente humilhada em todos os capítulos. Para nós, gordas, é uma caricatura exagerada que só está ajudando a alimentar ainda mais o preconceito que já existe", comenta. "Ainda não houve uma cena de superação, de volta por cima. Quem é gordo sabe que a nossa vida é feita de quedas e voltas por cima. Eu não conheço uma gorda que seja tão coitada como a Perséfone é retratada. Essa personagem não nos representa."

Outra blogueira descontente é Kalli Fonseca, criadora do blog "Beleza Sem Tamanho". Ela, inclusive, encabeçou um abaixo-assinado on-line, pedindo para Walcyr Carrasco mudar a personalidade de Perséfone. Já são mais de três mil assinaturas.

Enquanto as mudanças não acontecem, o que se sabe é que Perséfone ainda vai sofrer muito. E desta vez será humilhada pela família do namorado. Paula diz que esse tipo preconceito acontece, sim, na vida real , mas espera que o autor faça personagem contornar a situação. "O ideal é que isso sirva para passar uma mensagem positiva de superação, pois muita gente se influencia pela novela", diz.

Para a blogueira, um homem tem que estar muito apaixonado e ser muito seguro de si para namorar uma gorda, porque as piadinhas e os comentários maldosos acontecem e ele tem que saber como contornar. "Se o cara for cabeça fraca, as piadinhas dos amigos já são o suficiente para ele desistir do relacionamento. Isso, inclusive, aconteceu comigo. Infelizmente isso ocorre porque são décadas de preconceito sendo alimentado."


Por Juliana Falcão (MBPress)

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