Fernanda Montenegro: 80 anos

Fernanda Montenegro 80 anos

Foto: Rafael França / divulgação Globo.

Fernanda Montenegro completa 80 anos hoje. Mas ela não nasceu Fernanda Montenegro. Em 1929, era Arlette Pinheiro Esteves da Silva quem nascia, nome real de uma das maiores atrizes brasileiras - única a já receber indicação ao Oscar de melhor atuação. Fernanda - nome adotado quando a fama pediu -fez mais de 200 teleteatros, além de 56 peças, 20 novelas e 16 filmes. Acumula uma séria de prêmios e uma honrosa moral. "Não vamos ser hipócritas. Eu mereço tudo que eu ganhei. Sou boa no que faço", afirmou recentemente, durante mais uma premiação.

A carreira começou perto dos 15, como locutora e atriz de rádio-teatro. Depois, já começou a traduzir e adaptar peças literárias para o formato de rádionovelas. "Juntando rádio e TV, fui me entrosando na literatura dramática e aprendendo meu ofício. Por onde a vida foi me levando, eu fui me formando", declarou a atriz.

Na década de 1950 estreou nos palcos, com a peça "Alegres Canções nas Montanhas". E nesse palco conheceu o homem com quem viveria um feliz e longe relacionamento. Casou com Fernando Torres em 1953, com quem teve os filhos Fernanda Torres (atriz) e Cláudio Torres (cineasta).

Fernanda (mãe) foi a primeira atriz contratada pela extinta TV Tupi e por lá atuou ao lado de nomes como Cacilda Becker, Nathália Timberg, Sérgio Britto e Raul Cortez. Em 1964 fez seu primeiro filme, "A Falecida". Em 1982 ganhou os prêmios "Molière Especial" e de "Melhor Atriz" pelo desempenho na peça "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant". Na tevê, papéis em novelas como "Guerra dos Sexos" (1983), "Rainha da Sucata" (1990), "O Dono do Mundo" (1991), "Zazá" (1997) e "Belíssima" (2005) rechearam a carreira de Fernanda com personagens inesquecíveis.

Nas telonas, atuou em sucessos como "Eles Não Usam Black-Tie" (1980), "O Auto da Compadecida" (2000), "Redentor" (2004), "Casa de Areia" (2005) e "O Amor nos Tempos do Cólera" (2007). Mas foi com "Central do Brasil" (1998), que ela desenhou um marco (e sua marca) no cinema brasileiro. O drama rendeu indicações ao "Oscar" e ao "Globo de Ouro". Pelo filme, ganhou um "Urso de Ouro", no Festival de Cinema de Berlim.

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"Não tenho nada com essa fantasia de grande dama do teatro ou da televisão. Tenho uma vida de trabalho, ofício. O que possa ter da chamada 'boa imagem' não é para ser uma imagem, é resultado de uma consciência", afirmou recentemente com uma lucidez invejável.

Sem falsa modesta, é dona de uma carreira invejável, impecável. E nem pensa em parar. Já foi escalada para a próxima novela das oito, "Passione", que vai substituir a recente "Viver a Vida". Além disso, vai trabalhar com o filho Claudio Torres, em mais um filme.


Por Sabrina Passos (MBPress)

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