Entrevista - Ronnie Von

Ronnie Von

Divulgação "Todo Seu", TV Gazeta

Ronnie Von vem driblando o tempo. No ar com o programa “Todo Seu”, da TV Gazeta, o apresentador e cantor mostra na telinha o mesmo carisma (e a cara de menino) que fez dele um dos artistas mais admirados do país.

Em um programa “feminino”, fala tanto para homens quanto para mulheres, com credibilidade e equilíbrio. Mas foi nos anos 60 que este carioca de Niterói despontou para o mundo da música. Quem o vê na atualidade como um artista para lá de consagrado, nem imagina como foi difícil sua caminhada na trilha da fama. Ronnie iniciou sua carreira em 66 e, durante a trajetória, recebeu críticas da imprensa e da própria família. Com garra e muito talento, venceu. “Eu peitei tudo mundo e vim para São Paulo. Para minha família, ser cantor era um trabalho marginalizado, errado”, contou em entrevista.

É verdade que você nunca teve a pretensão de se tornar um cantor e apresentador?

Nunca planejei nada. Tudo aconteceu na minha vida. Eu era bem jovem, meu pai era um homem importante, tinha missão diplomática em Londres. Naquela época, na década de 60, os Beatles estavam estourando no mundo todo. Então, ele trazia os discos do grupo para mim. Recebia os álbuns seis meses antes do lançamento aqui no Brasil. Eu adorava! Naquele período, eu conhecia uma banda cover chamada Brazilian Beatles e fui a um show deles. De repente, me chamaram no palco e o vocalista disse que eu cantava muito bem. Acabei soltando a voz com a música “You’ve got to hide your love away” e quando vi estava falando com João Araújo, quem diria!. (João Araújo era diretor da gravadora Polygram e pai do cantor Cazuza).

O que o João Araújo lhe propôs? Ele foi seu padrinho de carreira?

Exatamente. Ele me chamou para gravar um disco. Isso em 1966. Eu pensei que ele só poderia estar maluco. Meses depois meu primeiro disco chegou às lojas, chamado "Meu Bem". Eu era tão jovem.

E como sua família reagiu a tudo isso?

Foi horrível. Eu peitei tudo mundo e vim para São Paulo. Todos morávamos no Rio de Janeiro. Um dia tivemos uma reunião familiar e minhas pernas tremiam de medo. Para eles, ser cantor era um trabalho marginalizado, errado. E eu tive de ser agressivo nas palavras ao dizer que eu queria gravar, queria seguir nesse caminho. Eu larguei tudo e fui morar em um cubículo na capital paulista.

E aí você conquistou a mídia e teve certeza de que era isso o que você queria?

Eu fui me apaixonando pelo trabalho. Mas, naquela época, a imprensa me massacrava muito. No início ouvia cada barbaridade nas rádios. Os locutores diziam que eu era um “filhinho de papai”. Foi muito duro.

Como surgiu o apelido de “Príncipe”?

Foi um presente da Hebe Camargo! Aconteceu quando meu pai esteve no programa dela e eu estava lá também. Meu pai disse que eu tinha passado por uma escola de aeronáutica, que eu adorava velocidade e foi aí que ela me olhou e disse que eu tinha um rosto de uma pessoa romântica e que meu apelido deveria ser “Príncipe”.

Qual foi a sua relação com a turma da Jovem Guarda?

Em 1996 eu tive minha primeira oportunidade como apresentador na TV Record. A atração recebia o nome de “O Pequeno Mundo de Ronnie Von” e eu era proibido de falar sobre a Jovem Guarda. Então, até hoje eu fico doente quando algumas pessoas falam que eu fiz parte desse movimento. Não fiz. Na Record lancei nomes como Os Mutantes, Eduardo Araújo, Jerry Adriani.

Você comanda há cinco anos o programa “Todo Seu”, na TV Gazeta. Está feliz?

Trata-se de uma atração com o comprometimento com a cultura nacional. Estou muito satisfeito. Recebi tantas propostas de outros canais para deixar a Gazeta, mas sempre disse não. Porque nos outros lugares eu seria pressionado a tentar a audiência fácil.

Como assim?

No sentido de exibir tragédias só para conseguir mais telespectadores. Na Gazeta sou cobrado por qualidade. É isso que importa para mim.

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