Entrevista - Maria Cândida

Entrevista  Maria Cândida

Foto: divulgacão

Ela já trabalhou na Globo, no SBT e até no canal americano CNN. Há mais de dois anos comanda um programa de variedades da Rede Record, o “Programa da Tarde”. Além disso, mostra todo talento na apresentação “Entrevista Record Música”. Maria Cândida é uma jornalista de carreira invejável. Fora do Brasil teve a oportunidade de entrevistar artistas como Brad Pitt, Richard Gere e Tom Hanks, além de viajar mundo afora fazendo grandes reportagens.

Aqui, já apresentou o Grammy, foi garota do tempo, mas começou mesmo como estagiária, em 1992, no “Jornal do Brasil”. Depois, os veículos ficaram pequenos para ela. Escreveu para “Veja” e “Jornal da Tarde”, foi repórter de programas de TV e ancorou telejornais como o “Jornal Hoje” e o “Bom Dia Brasil”, da Globo.

Mas ai foi o Brasil quem ficou pequeno. “Quando a fase acabou, eu saí. Eu queria muito estudar e trabalhar fora, deixei a Globo e fui para Nova York”, conta em entrevista exclusiva para o Vila Glitter.

Entrevista  Maria Cândida

Fotos: Priscila Prade

Mãe de uma menina de três anos e casada, Maria se considera uma pessoa tranquila. “Sou uma pessoa batalhadora, mas recatada. Nunca tive uma foto polêmica publicada”, lembra. Quando não está correndo entre um estúdio e outro, ela vai ao teatro e ao cinema com o marido. “Também viajamos muito e amo passear no meu barco”.

Modesta, Maria acha que ainda tem um caminho longo a trilhar para alcançar o sucesso. “O que sempre me orgulho é de levar o meu conteúdo jornalístico para o artístico. Eu me sinto uma apresentadora completa. Pode cair o teto ao vivo que eu continuo, narro, mostro os fatos. E isso, essa experiência, eu devo ao jornalismo, aos anos de rua e plantões de fim de semana”.

Você já trabalhou na Globo e no SBT. Qual sua relação com esses grandes canais?

Eu me dou muito bem com os dois canais. Tenho amigos que hoje são chefes, até importantes, e tenho muito orgulho do crescimento de quem estava comigo lá em 1996, 1997. Na Globo, eu fui repórter e aprendi a fazer reportagem. Fiz de tudo, de buraco de rua a matérias para o Fantástico. Apresentei o SPTV, Globo Rural, a previsão do tempo no Jornal Nacional. No SBT, eu tive a chance de fazer apresentações mais consistentes como o Oscar e o Grammy. Como eram eventos internacionais, o peso era muito maior e eu gostava disso. Também fiz muita reportagem de variedades para o SBT Repórter e comecei a entrevistar artistas de Hollywood.

Tem vontade de voltar?

Voltar? Todos os convites são sempre bem-vindos. Mas se eu voltasse para alguma dessas redes, tinha que ser para fazer algo diferente, no estilo do que faço hoje: apresentação de reality shows, quadros com entrevistas minhas ou reportagens especiais. Hoje estou no departamento artístico da TV Record e é nessa área que quero ficar. Na Record, inclusive, estamos trabalhando um projeto novo para os fins de semana. Algo que tenha mais a ver comigo e com o que eu posso colaborar com a emissora.

Hoje você comanda um importante programa na grade da Record. Qual o perfil do seu programa e público?

Faz dois anos e alguns meses que estou na grade da tarde, com o Programa da Tarde. É incrível, mas ainda não consegui definir com precisão quem assiste ao programa. Tem muita gente diferente! Eu sei que aposentados e crianças com 12, 13 anos, assistem muito. Também tem muito homem que tem TV ligada no trabalho: taxistas em pontos, manobristas, porteiros, consultórios médicos, hospitais, enfim, o programa é muito assistido em lugares públicos. E, claro, não poderia deixar de faltar o sexo feminino. Geralmente mulheres que não trabalham ou trabalham meio período.

E o “Entrevista Record Música”?

O programa tem uma hora e é um barato, porque as bandas levam instrumentos, contam suas histórias e vão cantando. Não tem roteiro, vamos falando do trabalho deles e pontuando com músicas. Esse programa não tem corte e é gravado como se fosse ao vivo. Eu já recebi o Ney Matogrosso, Jorge Aragão, O Rappa, Luciana Mello, James Blunt, Negra Li, Ed Motta, entre outros. Hoje, posso dizer que esse é o programa onde eu me realizo. Amo música, cinema, artes em geral. E foi um presente ganhar esse programa.

Como é sua rotina diária?

Uma loucura. Não tem um minuto que fico de pernas para o ar! Até no cabeleireiro eu levo o computador e fico trabalhando. As pessoas pensam que nós trabalhamos apenas quando estamos no estúdio, mas não é verdade! A gente precisa se informar, fazer pesquisas, contatos, ler muito. Além da parte mais “artista”, quando eu fotografo para revistas ou algum trabalho especial. E, por último, tem o trabalho de apresentação de eventos, que eu faço muito.

Como vê seu sucesso profissional hoje e que experiências destacaria?

Sucesso é quando você se mantém por anos, décadas, fazendo um bom trabalho. O sucesso imediato é algo que eu não acredito, porque acho que é meio vazio. Bom, depois desse conceito, poderia dizer que me acho uma pessoa que tem sucesso relativo. Faz 15 anos que estou na TV, mas fazendo coisas diferentes: reportagens simples, complexas, apresentação de jornais, de outros tipos de programa. E, agora, faz uns 3 anos, eu comecei a entrar na área que realmente gosto, artística. Portanto, sou uma apresentadora super nova, tenho pouca experiência nessa área. Se falarmos de jornalismo, eu me sinto completa, acho que passei por todas as fases: de rádio-escuta à apresentadora, editora. E fico feliz com a minha trajetória.

Você sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher (e bonita)?

Acho que sofri um pouco quando comecei a trabalhar em redação de jornal. Era muito nova, tinha 19 anos, e não sabia nada. Eu acho que as pessoas falavam: o que essa bonitinha quer aqui? Aqui é lugar de gente com cabeça, inteligente! Infelizmente a beleza ainda é associada a um nível intelectual mais baixo, mas nós, mulheres guerreiras estamos modificando isso. Acredito, sem dúvida, que podemos ser lindas, competentes, inteligentes.

Entrevista  Maria Cândida

Foto: Gilberto Haider

A beleza abriu portas?

Seria hipócrita se dissesse que não. Abre portas, mas depois você tem que mostrar seu trabalho. Se não for competente, vai para a rua.

Você fez muitas entrevistas internacionais, com super atores e estrelas. Deu mesmo frio na barriga entrevistar Brad Pitt, por exemplo?

Pode até parecer que sou chata ou esnobe, mas vou dizer que não fico com frio na barriga por causa dos atores. Eu fico, sim, apreensiva, para que a entrevista saia a melhor possível. Eu me preocupo em fazer todas as perguntas no tempo curto que temos. Conquistar o artista, já que essas celebridades estão a cada dia com um humor, passar o meu recado. São muitas coisas, em pouco tempo, uns 10 minutos para cada ator. Por isso, fico meio nervosa antes de entrar na sala. É como se eu tivesse uma única chance de fazer um trabalho bem feito. Se algo sai errado, a culpa é minha e eu não me perdôo. Sou muito perfeccionista e crítica.

Você já viajou o mundo. Por que voltou para o Brasil, depois da experiência em NY? Não quis seguir a carreira internacional?

Sou muito ligada à minha família. Acho que isso me fez voltar. Se tem uma coisa que eu me arrependo um pouquinho, é não ter ficado mais fora. Foram três anos entre NY, Atlanta e Miami.

Você está com uma forma invejável. Como mantém a saúde do corpo e da mente?

Estou mais madura e, portanto, mais feliz. Faço ginástica três vezes por semana e como direitinho para me manter saudável e não engordar. Essa combinação me trouxe esse meu novo corpo, que até eu estou gostando. (risos!)


Muitos. Eu limpo a pele todos os dias com sabonete líquido, passo hidratante, vitamina C e filtro solar. E, nunca durmo com maquiagem. O cabelo, como tem várias luzes, tenho que fazer hidratação pelo menos uma vez por semana. E vou variando dois xampus e condicionadores.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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