Entrevista - Lima Duarte

Lima Duarte

Lima Duarte - foto Rafael Franca

Lima Duarte possui no currículo trabalhos inesquecíveis ao longo da história da telenovela e do cinema. Considerado um dos mais importantes atores brasileiros, atualmente vive Shankar, na trama “Caminho das Índias”, e já faz história como o brâmane que criou Bahuan, interpretado por Márcio Garcia.

Segundo Glória Perez, o personagem foi criado especialmente para Lima. “Eu me apaixonei por esse papel”, contou o ator em entrevista. Na bela trajetória, ele atuou em folhetins de grande sucesso como “Roque Santeiro”, “Rainha da Sucata” e “O Salvador da Pátria”. No cinema, estrelou em “2 Filhos de Francisco”, “O Preço da Paz”, “O Auto da Compadecida” e muitos outros.

Nessa entrevista, descubra qual trabalho mais marcou a carreira de Lima e ainda as dicas dele para os jovens atores. Questionado se em algum momento da trajetória pensou em desistir, ele foi categórico. “Nunca. Não saberia fazer outra coisa”.

Quais características de Shankar mais lhe chamam a atenção?

Shankar é muito fiel às tradições e elas são a alma da Índia. O país tem um povo absolutamente diferente para nós, cercado pela Cordilheira do Himalaia! A Índia construiu um universo inteiramente diferente, onde tudo é sagrado. O dito maior do hinduísmo é "o nome real de Deus é verdade".

Você já conhecia o universo indiano?

Muito remotamente. Adorei visitar a Índia durante as gravações e ter contato com outra cultura. Trabalhamos em parceria com uma equipe indiana e pudemos observar a rotina das cidades, o sistema de castas, etc.

Como é o clima nos bastidores de seu núcleo? Além de trabalhar arduamente, vocês se divertem?

Muito. O clima é ótimo! Focamos sempre no trabalho, conversamos sobre os personagens, mas também brincamos um com o outro.

O que as pessoas têm dito a você nas ruas por conta de seu atual personagem?

As pessoas amam o Shankar e acreditam que ele é um filósofo, um sábio. Fico muito contente com isto.

De todos os trabalhos feitos na televisão, existe algum que você se recorda com imenso carinho ou mesmo um que não lhe agradou? Por quê?

Gostei muito de interpretar vários personagens. O Sinhozinho Malta, eu mesmo construí. Discuti com o Dias Gomes como seria. Foi um trabalho muito bem feito, quase de ourives, que me agradou bastante. Sassa Mutema também foi maravilhoso e era o mais parecido comigo. Todos os personagens, no fundo, são a gente mesmo. No trabalho de ator, a gente vai buscar na memória emotiva nossas criancices, nossas brincadeiras. Em inglês, atuar é "to play", que significa brincar. As minhas memórias, minhas vivências são o subsídio mais valioso que tenho para o meu trabalho. O Sassa Mutema, por exemplo, tinha muito da minha infância.


Quais são suas técnicas para decorar um texto?

Não tenho uma técnica, é sentar e decorar. Muitas vezes saio da gravação, vou para casa, janto e, depois, estudo minhas falas até tarde.

Que dica você dá para jovens atores que pretendem apostar nessa carreira?

Falar melhor, trabalhar a palavra e a dicção. É importante estudar as palavras: como se formaram, de onde vieram e como devem ser enunciadas.

Por Andréia Takano (MBPress)

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