Entrevista: Letícia Persiles, a Capitu!

Entrevista Letícia Persiles a Capitu

Divulgação TV Globo

A personagem mais intrigante da literatura brasileira ganha, a partir de hoje (09/12) vida e graça na televisão. A famosa Capitu, estrela maior da obra Dom Casmurro, é tema de minissérie que a Rede Globo exibe em 5 capítulos.

Os “olhos de ressaca” de Letícia Persiles, a jovem morena que interpreta a personagem principal de Machado de Assis, devem encantar mesmo quem não gosta dos clássicos. A carioca de 25 anos foi convidada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para viver Capitu - a mulher livre que desperta em Bentinho e Escobar a paixão que mudará suas vidas.

Letícia é também vocalista da banda Manacá, que mistura rock com ritmos folclóricos, A menina compõe, toca pandeiro e castanhola e faz teatro desde os 11 anos. Para a série, que faz parte do projeto Quadrante e deve adaptar toda a obra de Machado, a banda dela gravou especialmente uma releitura da música “Quem sabe”, de Carlos Gomes. Segundo Letícia, as atividades da Manacá estão apenas começando e o primeiro Cd deve ser gravado em breve.

A responsabilidade de encenar a misteriosa Capitu foi tomada com seriedade por Letícia. Em entrevista ao Vila Glitter, ela fala mais sobre a preparação da personagem, que será vivida na segunda fase da série por Maria Fernanda Cândido, e o que pensa da famosa estrela da literatura.

Capitu é seu primeiro trabalho na televisão?

Sim, é meu primeiro. O Luiz me conheceu em um show do Manacá e um mês depois me fez de fato o convite. Foi um sustinho por vários motivos, até então não sabíamos porque ele estava entrando em contato com a gente, pensamos que ele estivesse interessado em alguma coisa da banda, da música, não sabíamos ainda o que ele queria. Foi um susto ótimo.

Como se preparou para viver um papel tão importante?

Comecei a buscar nas gavetas, lá no fundo delas, cartas antigas, objetos que me trouxessem de volta algumas sensações. Montei uma caixa, que eu fiz a decoração e pintei, onde juntei elementos que condizem com o caráter dela. Então tem uma série de coisas nela, inclusive uma edição antiga de Dom Casmurro, que achei correndo os sebos do Centro, luvinhas antigas que tinha, umas cartas interessantes que o conteúdo tinha um significado forte para mim e tinha muito a ver com esse momento da Capitu, com a vivência dela. Passei a carregar a caixinha para onde eu ia. Comecei a buscar ambientes que pudessem me trazer a sensação do peito aberto, de respirar com profundidade, e com a liberdade de respirar por respirar, sentir o ar de fato.

Capitu

Divulgação TV Globo

O que pensa da personagem Capitu?

Ela faz as coisas por necessidade, por vontade, por isso as decisões dela são muito sinceras. Tem muito a ver com o instinto, com o feminino. Também comecei a ir mais à praia por vários motivos, pela metáfora que Machado usa do mar, os olhos de ressaca, e pelo excesso de ar que as praias mais retiradas oferecem. Eu tive pouco contato com o mar durante a infância e adolescência, passei muito mais tempo em mato e cachoeiras. Então até hoje sou uma criança na praia, aproveitei para experimentar o mergulho no mar que também me traz essa sensação do novo, da descoberta, do fôlego.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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