Entrevista: Antonio Calloni

Entrevista Antonio Calloni

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Ele tem recebido elogios (e críticas) por conta do personagem polêmico na novela Caminho das Índias, da Globo. Antonio Calloni vive César, um pai que acoberta todas as atitudes erradas e insanas do filho - e tem deixado os brasileiros indignados.

Ao lado de Ana Beatriz Nogueira, que interpreta Ilana, ele defende cegamente tudo que o filho Zeca, vivido por Duda Nagle, apronta. O menino é um péssimo aluno, inconsequente e não tem limites. Além de defender, César estimula, inclusive, a violência. “Existem pessoas muito piores do que o César. Uma educação pautada no amor, na ética e no prazer de viver, dentro de casa, é fundamental para a formação de um filho”, disse em entrevista.

O sucesso de Calloni na trama de Glória Perez é apenas mais um em sua carreira. Ao longo da trajetória, ele atuou em produções como “O Dono do Mundo”, “Terra Nostra”, “O Clone”, “Um Só Coração”, “JK”, “Páginas da Vida”, “Beleza Pura”, e entre outras. “Está sendo maravilhoso fazer esse personagem não só pelo resultado artístico, mas também pela discussão social que ele está gerando”. Confira mais sobre esse ator, que se prepara com dedicação para cada personagem. “É sempre difícil fazer um bom trabalho. Exige estudo, generosidade e muito bom humor”.

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O César tem sido comentado por todos os cantos do Brasil. Você acredita que ele já é um marco em sua carreira?

Costumo dizer que a minha santíssima trindade é composta pelo Mohammed, de "O Clone", o Bartolo, de "Terra Nostra", e o Chateaubriand da minissérie "Um Só Coração". O César, com certeza, irá formar o santíssimo quarteto! Assim espero!

Quando você recebeu o convite para atuar em “Caminho das Índias”?

Estava fazendo “Beleza Pura” quando a Glória me mandou um e-mail fazendo o convite para a novela. Já tinha feito com ela “O Clone”, novela que lota a minha caixa de e-mails do mundo inteiro e a minissérie “Amazônia”. Fiquei muito feliz também pelo Marquinhos (Schechtman), que é um diretor muito dedicado, fantástico. Desde então, começamos a falar sobre o personagem.

É verdade que você decidiu emagrecer mais de 20 quilos somente por conta do seu papel na novela?

Não. Já estava em um processo de emagrecimento antes do convite. É claro que o fato de ter de emendar uma novela na outra ajudou bastante, foi um grande estímulo. A coincidência é que estar mais magro tem a ver com o personagem.

Como o público tem reagido com você nas ruas?

O público e a crítica estão elogiando muito meu trabalho como ator. As pessoas que me encontram na rua dizem sentir muita raiva do César com um imenso sorriso. Está sendo maravilhoso fazer esse personagem não só pelo resultado artístico, mas também pela discussão social que ele está gerando. É fundamental discutir a violência, a falta de ética, o abuso do poder e a falta de limites na educação de um filho.

Você acredita que na atualidade existam muitos pais como César e Ilana?

Existem pessoas muito piores do que o César. Uma educação pautada no amor, na ética e no prazer de viver, dentro de casa, é fundamental para a formação de um filho. As probabilidades de que o filho venha a ser um marginal diminuem drasticamente. O resto é por conta da vida e do livre arbítrio do filho.

Nos bastidores, como é o relacionamento com seu núcleo?

Maravilhoso! Tenho tido muita sorte com meus companheiros de cena. A Ana (Beatriz Nogueira) e o Duda (Nagle) estão arrebentando.

Você se surpreende a cada capítulo que recebe de Glória Perez?

Tenho me surpreendido no bom sentido, estou adorando. Gosto de dar sugestões e de me envolver completamente no trabalho.

O que o público pode esperar de seu papel nos próximos capítulos? César vai mudar?

Não sei se ele vai mudar. Tudo é possível. César transita bem pelo humor, pela violência e tem bastante humanidade. Não é um vilão que baba verde. É um ser amoral, sem caráter. O que talvez seja pior do que ter um caráter ruim. Tomara que ele continue causando polêmica durante muitos capítulos ainda.

Por Andréia Takano (MBPress)

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