Curiosidades sobre a obra de Chico Buarque

Curiosidades sobre a obra de Chico Buarque

Foto/Divulgação

Primeiro, Wagner Homem trabalhou como pesquisador do livro "Chico Buarque - Letra e música", e mais tarde se tornou curador do site oficial do artista. A partir daí, ele começou a receber vários e-mails com perguntas de fãs, muitos deles interessados em saber histórias sobre as composições de Chico.

Ao perceber isso, ele teve a ideia de escrever um livro, principalmente pelo fato do compositor não explicar a própria obra, cheia de curiosidades. Em "Histórias de canções - Chico Buarque", Wagner reúne os acontecimentos em torno das composições, muitas delas até engraçadas, sem a pretensão de analisar ou interpretar as letras.

São 26 capítulos sobre as principais músicas feitas entre 1964 e 2008. Em uma delas, Chico chegou a insinuar que teria mais respeito por ratos do que por mulheres. Na verdade, a história sobre a música "Ode aos ratos" (2001) foi relatada pela cantora Mônica Salmaso em um show. Veja como ela é relatada no livro:

Escrevendo a letra, Chico percebeu que lhe faltavam informações sobre as características dos ratos, e ligou para o amigo Paulo Vanzolini, compositor e zoólogo:

- Vanzolini, aqui é o Chico. Eu estou escrevendo uma letra sobre ratos e queria que você me ajudasse a saber como eles são. O nariz, como é que é? É frio? Quente? Macio? Duro? E a pelagem?

- Ô Chico! Você mente tanto sobre mulher... Por que não inventa qualquer coisa também sobre os ratos?

- Pô, Vanzolini... Pelos ratos eu tenho o maior respeito.

Já a canção "Meu caro barão", (1981), para o filme "Os saltimbancos trapalhões", foi composta de acordo com o longa. Os Trapalhões acham uma máquina de datilografia e decidem mandar uma carta ao Barão, dono do circo em que trabalham.

Segundo relata Wagner no livro, para mostrar as dificuldades que eles tinham com a língua e com o teclado, Chico tira o acento de várias palavras e faz com que rimem com outras (faxina com maquina, dizia com ausencia, lotado com sabado, virgula com ridicula, ouvido com palido, etc.). Além disso comete, propositalmente, erros de concordância em frases como "o santo dos ladrão" e "Deu uma cocega/ Nos calo da mão".


"Em 1989, quando eu preparava as letras para o livro Chico Buarque letra e música, Chico me ligou pedindo que abrisse na página que continha "Meu caro barão". Para nossa surpresa, os textos eram diferentes. Antes de enviar o material para o autor, a editora fazia uma revisão e, num excesso de zelo, corrigiu os "erros" ortográficos e gramaticais de Chico Buarque", conta o autor do livro.

"Histórias de canções - Chico Buarque" pertence a Leya, editora portuguesa que lança pela primeira vez uma obra no Brasil.

Por Juliana Lopes

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