Você conhece alguma mulher mocinha?

“As mulheres metem medo nos homens” e “não há mais homens de verdade no mercado”. Essas duas afirmações demonstram claramente o curto-circuito que anda minando a boa comunicação entre os sexos.

Que as mulheres metem medo nos homens não resta menor dúvida. Porém, discordo de quem diz que os homens que valham a pena estão em extinção.

O que sumiu da praça, já que estamos falando nisso, são as mocinhas. Lembra daquela mocinha dos filmes, tonta de tudo, atrapalhada, mas linda que precisava de ajuda até para tomar um copo de água com açúcar, mas que, no final, acabava sempre aos beijos com o bonitão da vez?

O sujeito aliás era sempre muito amigo das espertas do pedaço, mas na hora de se apaixonar, ficar de quatro e oferecer a boiada toda além do coração, era para a mocinha que ele corria.

“Mocinhas estão fora de moda” - você deve estar pensando. Pode até ser. Pelo menos aquela dos filmes não existe mais, pois as mulheres ficaram tão mais espertas e independentes que é difícil imaginar alguma com aquele jeitão de ingênua indefesa.

Mas pode ter certeza que é daquelas que os homens sentem saudade. Ou pelo menos aqueles em quem você pensa que ainda vale a pena investir (para usar o termo corrente).

O problema é que mulher que conquistou todos estes direitos que gostamos de alardear se transformou num mistura aterrorizante e em uma caricatura do que poderia ser a força feminina.

Ultimamente, apelidos como cachorras, popozudas e outros igualmente não elogiosos ao nosso gênero mostram bem as armadilhas visuais nas quais acabamos caindo. Do ponto de vista conceitual extrapolamos e distorcemos completamente o sentido de independência com atitudes que chegam a ser ofensivas para os homens.

Quer um exemplo? Conheço várias mulheres que, em um primeiro encontro com alguém, preferem marcar o local e ir com os seus próprios carros. Assim, no caso de não gostarem do rumo da conversa ou conforme o comportamento do sujeito em questão, sentem-se livres para voltar para suas casas efetuando uma rápida saída pela direita.

Espertas e modernas não? Não. Eu diria que são precipitadas e arrogantes. Arrogantes por pressupor que apenas elas podem não gostar da companhia e arvorar-se o direito de julgar no intervalo que dura um jantar, um café ou um happy hour se a coisa tem futuro.

E precipitadas porque se até Deus fez o mundo em sete dias, que mal há em dar outras chances, não a pessoa em si, mas ao vínculo que pode ou não se formar e que pode se transformar em amizade, tesão ou parceria profissional... Por que cortar de cara algo que, se não funcionar como romance ou sexo pode se adequar lindamente a tantos outros propósitos?

Ao rotular e descartar os homens dessa maneira rasa as mulheres estão perdendo o melhor da festa, pois nas últimas décadas eles também mudaram e para melhor! E nos apresentam aspectos encantadores, importantes para explorar e conhecer. Mas não temos dado a eles essa chance, tão imbuídas estamos em manter nossa postura de poder.

E aí metemos medo mesmo. E não entendemos como aquele sujeito que parecia tão inteligente acabou preferindo uma biscate com cara de boneca e jeitão sonso parecida com aquelas heroínas de filme de antigamente.

Pois é. Mas você é uma mulher moderna e não vai dar para fingir que é tonta se é tão esperta. Pois vou te contar uma coisa: as mulheres de antigamente eram até mais espertas que nós (afinal foram elas que conseguiram furar uma série de bloqueios masculinos e são responsáveis por grande parte das nossas conquistas). E, de tão espertas, fingiam que eram menos capazes e frágeis.

Viviam precisando dos homens (mas só daqueles a quem interessava) que sempre acudiam solícitos e encantados. E acabavam literalmente comendo na mão delas.

Ok, eu sei. Você não precisa de nada disso. Viaja sozinha, paga suas próprias contas, ganha seu salário, cria seus filhos sem a ajuda do pai... Melhor ainda.

Porém o fato de ser capaz de fazer tudo isso não quer dizer que esta seja uma situação ideal. Se tantas estão reclamando de falta de homem na praça é porque provavelmente andam querendo uma boa companhia masculina para partilhar todas estas delícias. Taí um bom motivo para fingir melhor e se divertir em vez de querer provar a ferro e fogo o quanto você pode decidir. Afinal de contas, sempre pudemos.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"

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