Violência doméstica: mulheres entre 15 e 44 anos têm maior risco de estupro do que câncer

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O Instituto Avon acaba de lançar uma pesquisa inédita sobre violência doméstica (Percepções dos Homens Sobre a Violência Doméstica contra a Mulher), como parte das ações da campanha global da Avon Fale sem Medo - não à violência doméstica.

Esta é a terceira pesquisa de uma série que teve início em 2009, com o objetivo de conhecer as percepções da população em relação à esse tipo de violência.

A pesquisa foi feita entre Agosto e Setembro de 2013 e apontou que a maioria dos homens não entende que a Lei Maria da Penha (que vê esse tipo de violência como crime e protege os direitos das mulheres) atua também para reduzir a desigualdade de gênero. A maioria acha inaceitável que uma mulher fique bêbada e saia com os amigos sem o marido. Aproximadamente 89% acha inaceitável, inclusive, que a mulher não mantenha a casa em ordem.

Para eles, o casamento ideal precisa ter respeito (39%) como fator principal da relação, seguido de companheirismo (37%) e amor (36%). E o ciúmes é a principal causa, na opinião dos homens (29%), da violência doméstica.

Na opinião deles, a primeira coisa que a mulher deve fazer em caso de agressão é conversar com o parceiro, e não recorrer à Delegacia da Mulher. Eles acreditam que a solução para eles mesmos seria buscar a orientação de um terapeuta (25%).

Alguns dados continuam alarmantes: a cada 4 minutos uma mulher é agredida no Brasil. E aproximadamente 41% da população conhece algum homem que já foi violento com a parceira. A pesquisa também levantou outras informações preocupantes. Mulheres com idade entre 15 e 44 anos têm maior risco de estupro e violência doméstica do que de câncer ou acidentes de carro.

Estima-se que mais de 13 milhões e 500 mil brasileiras já sofreram algum tipo de agressão de um homem, sendo que 31% destas mulheres ainda convivem com o agressor e 14% continuam a sofrer violências. Isso significa que 700 mil brasileiras são alvo de agressões cotidianamente.


A Lei Maria da Penha determina que as mulheres tenham direito a uma vida sem violência e em condições para o exercício de seus direitos. A lei também estabelece a realização de campanhas para prevenção da violência voltadas à sociedade em geral, programas educacionais e destaque nos currículos escolares de conteúdos sobre direitos humanos, igualdade de gênero e raça.

Por Jessica Moraes

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