Uma nova chance para as boazinhas

Uma nova chance para as boazinhas

Foto: Photostock http://goo.gl/2KQGt

Minha avó sempre dizia que todo dia é uma nova oportunidade pra descobrir como tem gente tão diferente da gente.

Meu colega de trabalho tem sofrido o que chamamos de bullying corporativo, pela razão de toda discriminação: puro preconceito.

Ele põe a batata-palha antes do estrogonofe.

Eu também não entendi.

Excêntricos sofrem em silêncio. Não passam de um bando de incompreendidos.

Mas nesse treinamento ocular (involuntário) para "estranhices", percebi - há tempos - um grupo sempre predominante nas sociedades ocidentais e orientais, reconhecido e recriminado pela sua peculiaridade.

É a legião das boazinhas.

As boazinhas são umas coitadas. E tal como meu pai me dando uma bronca homérica pra eu parar de comer miojo, fui dura com as boazinhas na última coluna. Mas lembrem-se: sempre tive a melhor das intenções. E mantenho minha posição. Não deixe o seu jeito querido e bonzinho para com os outros superar o seu respeito e amor por você mesma.

Mas apesar de manter o movimento do soquinho na santinha-bobinha, quero propor uma reflexão sob um ponto de vista diferente.

Será que, às vezes, invertemos os rótulos para os acontecimentos? Será que meu amigo que põe a batata antes do estrogonofe é o estranho do setor, ou sou eu que ainda não percebi que o molho sempre sobrepõe o resto?

No final das contas? Quem é o doido da história?

E dessa vez - e só dessa vez mesmo - quero dar um crédito às vítimas da "boazisse crônica". E pouparei do soquinho aquelas que selecionam a quem dedicar a sua santidade.

Afinal, apesar de tudo, vocês são donas de uma ideologia que pode salvar o mundo da solidão.

Você, boazinha, tem um sentimento maternal capaz de salvar o dia de alguém.

Você se doa. Doa uma fração da sua saúde, da sua alegria, da sua individualidade e do seu coração por outra pessoa.


O mundo é muito órfão. E a dedicação de uma menina querida o aquece. Gera mães amorosas, esposas companheiras, filhas responsáveis e namoradas maravilhosas. Sorte de quem está por perto.

E quem não se sente aquecido por você ou rejeita o seu apreço, só sai perdendo. Esteja certa de que o mundo gira. E o seu sempre vai girar sob calor. Não duvide disso. Vai passar.

Você é rara, mas não única. Você não está sozinha.

Sisters? (com o mindinho levantado)

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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