Traição tem perdão?

Traição tem perdão

Foto: Jack Hollingsworth/Corbis

Perfeição dentro de um relacionamento nunca vai existir. Mixar gostos e vivências, aceitar os defeitos do outro e deixar-se lapidar para garantir o bem-estar da vida conjugal são tarefas complicadas e que não possuem tempo pré-determinado para serem executadas. E quando o cônjuge fica descontente com a relação e busca numa terceira pessoa o tempero que está faltando em sua vida, causa feridas na parceira que nem sempre são apagadas pelo tempo ou pelo perdão.

A traição não é algo facilmente administrável. O desejo do homem de viver experiências fora de casa por motivos diversos só salienta a dor da mulher que às vezes se culpa por não ter evitado essa rachadura tão forte no relacionamento. E não importa se foi um caso ou uma escapada com uma garota de programa. Traição machuca e ponto.

Passadas a raiva e a decepção, será que vale perdoar uma traição? A jornalista Priscyla Costa, 28 anos, casada há dois anos, pensa que se o marido se comprometesse a abandonar esta traição, e realmente o fizesse, o perdoaria e apostaria em continuar ao lado dele. "Claro que nós dois precisaríamos de muita paciência, principalmente ele, para lidar com minha insegurança. Mas não desistiria do casamento por um caso."

A forma como a traição é descoberta não influencia no perdão. Ele aconteceria se Priscyla descobrisse ou se seu marido confessasse. "Se eu descobrisse, por exemplo, ia revirar roupas, celular, emails, redes sociais, tudo para saber quando ocorreu a traição e com quem", diz. "Munida de provas, ia mostrar para ele tudo o que tivesse juntado e pedir uma explicação. Depois ia chorar muito, ficar com muita raiva e trabalhar o perdão dentro de mim, porque realmente não vale a pena perder tempo com ressentimentos."

Sirlene Passerini, auxiliar administrativo de 36 anos, é casada há três anos e cinco meses. Ela pensa que o casamento é único e que marido e mulher são responsáveis pela maneira como são felizes juntos. "Se soubesse que fui traída conversaria com meu marido, buscaria entender o motivo pelo qual isso aconteceu. Se contribui ou não. Ficaria magoada com meu parceiro, mas também me sentiria mal por acreditar que tenha sido responsável direta ou indiretamente pela traição."


Assim como Sirlene, Priscyla pensa que vale muito a pena conversar com o marido para ajustar o que precisa ser ajustado, alinhar as expectativas, principalmente se ainda há amor. Isso porque o amor não apaga. Ele só adormece. "Cabe aos dois fazerem com que este amor tenha sempre a chama acesa. Parece clichê, mas na vida a dois é que vemos o quanto isso é verdadeiro. Por isso, mostrar o quanto algo incomoda, deixar claro os desejos sexuais, ser honesto com relação aos sentimentos, medos e inseguranças, tudo isso ajuda no casamento."

Juliana Falcão (MBPress)

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