Traição digital

Traição digital

As cercas estão agora virtuais. E contam com ajuda de especialistas para ficarem ainda mais fáceis de serem puladas. Respeitável público, a traição invadiu a internet! Aqui no Brasil, o site "Só Casados" é uma comunidade de descontentes com o casamento que querem, assumidamente, flertar. Você se cadastra, analisa perfis, marca encontros e pronto, traição agendada. Tudo com a ajuda do movimento 2.0 da rede mundial de computadores.

Fora do Brasil, a coisa é ainda mais forte. Tem site que oferece todo tipo de álibi, não importa a situação em que o traidor se encontre. A "Alibi Network Corp" fica em Chicago e tem como lema transformar a mentira em arte. "Celebridades têm assessores. Corporações têm relações pública. Investidores têm analistas. Agora as pessoas comuns têm Alibi Network", afirma o vice-presidente de marketing da empresa, Michael DeMarco. Essa empresa cria seminários, eventos, número de telefones, registros de ligações, tudo que você precisar para encobrir uma boa mentira. Até amigos do passado, com e-mail, endereço e família podem ser criados para garantir uma falsidade bem verdadeira.

A empresa americana "AshleyMadison", pioneira nessa onda de traição via Internet, criou até um serviço para ajudar as pessoas a se comunicarem via e-mails ou mensagens pelo celular. O site existe desde 2002 e tem 4,7 milhões de usuários - 69% deles são homens.

O número gigante representa uma infinidade de pessoas que buscam fora do casamento aquilo que não encontram (ou acham que não encontram) dentro dele. O criador do site, Noel Biderman, conversou com o Vila Dois e contou mais sobre esse modelo de negócio nada convencional, que se mantém apostando na infidelidade das pessoas.

Traição digital

Noel garante que o site foi criado para pessoas com as mesmas ambições e não quer separar casais. Ele mesmo é casado, pai de dois filhos pequenos. "Mas a monogamia não está no nosso DNA e pode até não ser saudável", afirma.

De onde nasceu a ideia de criar o site?

Veio de uma pesquisa que eu fiz, onde descobri que 35% das pessoas que acessavam sites de encontro na internet não eram solteiros. Então eu pensei comigo mesmo: será que essas pessoas não prefeririam acessar um site onde poderiam confessar seu estado civil? Em fevereiro de 2004 o "AsheleyMadison" estava no ar.

Você acha que a internet mudou o jeito das pessoas se relacionarem?

Completamente. Muitas pessoas encontram amor verdadeiro através de sites de encontros e, claro, relações sexuais também. Encontrar uma pessoa mudou de dinâmica com o advento da internet. Ela aumentou muito o número de pessoas potenciais que você pode conhecer.

Qual o real objetivo do site?

A ideia principal é que infidelidade existe, mas as pessoas a cometem de um jeito muito nocivo, perigoso até, como no ambiente de trabalho, por exemplo, e acabam perdendo o emprego. Ou se envolvem com solteiros ou até com prostitutas - e todos sabem dos riscos, nesse caso. A AshleyMadison serve para engolir esse comportamento e permitir que as pessoas tenham casos e traiam de maneira discreta e sem riscos.

Você recebe muitas críticas por causa do site?

Sim, muitas. Mas também recebemos uma parcela justa de e-mails agradecendo. Normalmente as pessoas têm casos extraconjugais porque vivem num relacionamento sem sexo, mas isso não significa que não amem seu parceiro, seus filhos, trabalho e família. Mas eles são humanos e precisam de sexo do mesmo jeito que precisam de água para beber ou ar para respirar.

Os casais acabam se divorciando, depois de acessar o seu site? Quais as estatísticas?

Somos um site de introdução, apresentamos pessoas. Não sabemos ao certo como as coisas se materializam. Presumimos apenas que a maioria dos casamentos não se desfaz. Ironicamente é a infidelidade que os mantém.

Como a segurança funciona?

O site é totalmente anônimo, seguro e nem a conta vem em nome da "AshleyMadison".

Quanto custa para participar? É preciso fazer uma assinatura?

É gratuito participar. Os custos vêm apenas quando você quer comprar créditos para falar com outros membros. E, por ser baseado em serviços de crédito - sem assinatura - o usuário é livre para ir e vir, o quanto quiser.

E finalmente, quem pode usar o site?

Até agora, americanos, canadenses, australianos e quem vive no Reino Unido já podem usar o site. Estamos planejando ir para o Brasil em 2010.


Serviço:

www.socasados.com.br

www.ashleymadison.com

www.alibinetwork.com

Por Sabrina Passos (MBPress)

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