Trabalhar junto, vale a pena?

Trabalhar junto vale a pena

Quando o expediente acaba e é hora de ir para casa, rola aquela vontade boa de encontrar o amado de dividir um pouco do que aconteceu durante o dia, certo? Certo para quem não esbarra com o companheiro na hora do cafezinho ou ainda daquela reunião geral. Para os casais que trabalham na mesma empresa, o desafio é manter a novidade mesmo no meio de tanta repetição e rotina.

Isso de dividir muito mais do que a cama pode levar casais a crises e brigas que, caso trabalhassem em empresas e horários diferentes, não aconteceriam. O casal de apresentadores Priscilla Rozenbaum e Domingos Oliveira trabalha junto há 25 anos, mas parece ter encontrado a fórmula certa. “É maravilhoso trabalhar junto com quem se ama. Quem não faz isso não sabe o que está perdendo”, diz Priscila.

Mas nem todo mundo esbanja essa alegria ao trabalhar com o amado. Rosana Souza e o marido foram sócios numa corretora de seguros, mas não aguentaram a barra de dividir tudo, sair de casa na mesma hora e almoçar juntos, todos os dias. “Acho que o negócio não daria certo de qualquer maneira. Mas a nossa relação ficou mesmo bem prejudicada. Foram tempos bem difíceis”, conta. Os dois tinham jeitos completamente diferentes de administrar e lidar com os funcionários. Aí, como não souberam separar e ‘administrar’ a relação, tanto negócio quando casamento acabaram.

Vanessa também trabalha com o marido - mas é funcionária dele, e não sócia como Rosana. “Eu trabalho no contas a pagar da empresa dele. Tenho que ter uma super paciência para não estourar quando não concordo com alguma decisão superior. É bem complicado”. Mas a relação dos dois, que dura já nove anos, se sustenta também um pouco pela proximidade que o trabalho proporciona. “Como ele viaja muito e é bem ocupado, às vezes nos vemos mesmo apenas no escritório. E é bem gostoso saber que ele está sempre lá na mesa dele, que eu posso procurá-lo qualquer hora do dia, mesmo para discutir coisas da casa, dos filhos ou do casamento”.

A psicóloga Janice Ornieski de Souza, da Clínica Contato, de Curitiba, diz que quanto se trata de relacionamento afetivo e trabalho, não há regra que define se vai dar certo ou não. “As diferenças inevitáveis entre as pessoas fazem com que o relacionamento tenha diferentes nuanças”, diz. Segundo ela, quando as pessoas reconhecem que são biológica e emocionalmente diferentes - e têm o desejo de conhecer o outro sem buscar que ele atenda suas expectativas - normalmente o relacionamento tende a dar certo, não importa se dividem ou não o ambiente de trabalho.

Mas é bom ter em mente que problemas na relação do casal devem ser discutidos em casa, nunca no ambiente de trabalho. Quando o casal trabalha junto em uma empresa de terceiros, regras de hierarquia devem ser mantidas e respeitadas. Se marido é chefe e esposa subordinada, como é o caso de Vanessa, mesmo que os dois tenham brigado na noite anterior, ela deve estar preparada para a neutralidade no dia seguinte.

Janice observa ainda que a possibilidade de estar próximo do parceiro, mesmo no horário comercial, auxilia a observar e aprender que há distinções bem específicas que estruturam homens e mulheres. “O mais importante não é o tamanho ou a quantidade das diferenças, e sim a forma como o casal lida com as mesmas. Quando os parceiros se complementam nas diferenças ligadas a preferências, desejos, hábitos, gostos pessoais, anseios e opiniões, ao invés de competirem, podem enriquecer o relacionamento com as diversidades”.


Para evitar o desgaste que aparece, o relacionamento amoroso necessita de uma ‘dieta’ especial. E ai vale abraços, beijos, toque, lembrança de datas importantes, diálogo, humor e carinho. “O relacionamento é como uma planta que precisa ser regada e cuidada para não murchar ou morrer. As pessoas afetivamente nutridas têm maior probabilidade de viver com mais entusiasmo e vivacidade”. Se um dos parceiros demonstra afeto e amor, a resposta do outro tente a resultar numa fonte de nutrição emocional. Não importa onde você bate o cartão.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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