Solidão Solidária

Solidão Solidária

Já pensou na solidão como positiva? Como um momento de estar sozinho, com você mesmo, mergulhando no auto-conhecimento? Pois saiba que a solidão é saudável. E quando você entra em contato com o que mora aí dentro e aprende a se cuidar, vive a "solidão solidária".

O termo, usado pelo médico sexólogo Gerson Lopes, coordenador do projeto Sexualidade com Qualidade, da ONG Saber, serve para ressaltar a importância dessa boa solidão. "É difícil imaginar alguém que não conhece a si mesmo ser capaz de conhecer o outro", explica. Segundo ele, quem não conhece seus déficits e dificuldades têm uma tendência de só enxergar essas coisas nos outros. "Muitas pessoas enxergam as imperfeições do outro que muitas vezes são delas mesmas. Fica difícil mudar isso se ela não fizer um movimento para dentro de si e isso só é possível em momentos de solidão", afirma.

Quando se trata de um casal, a solidão tem tudo para ser super saudável e significa respeito à individualidade. Essa habilidade cada um tem que desenvolver nas relações modernas. "Portanto, momentos do ‘eu sozinho’ são fundamentais numa vida a dois, principalmente quando percebemos que, em muitos momentos, o diálogo entre os pares se traduz em verdadeiros monólogos".

Essa solidão pode ajudar os casais que acabam perdendo sua própria individualidade, vivendo dentro de um ovo, colados o tempo todo como se fossem uma coisa só. Essa simbiose precisa ser evitada, com doses homeopáticas de solidão que nada tem a ver com crises, distanciamentos ou menos amor.


Gerson não atribui a dificuldade de assumir a individualidade - ou deixar que o outro assuma - ao homem ou a mulher. Segundo ele, independente do gênero, é preciso se livrar do sentimento de posse, que deve passar longe das relações amorosas. Para dosar a própria "solidão" e respeitar a "solidão" do outro é preciso primeiramente vontade. Depois, basta acrescentar paciência, tolerância, e muito bom senso.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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