Sogra rima com cobra?

Sogra rima com cobra

Amanda Themístocles

Ela no papel de mãe e você como mulher, amante, mãe dos filhos dele. Quem sempre ganha nessa disputa é, sem dúvida, o homem, que é filho e marido. O relacionamento entre noras e sogras, sempre tão conturbado, está na vida real e na ficção, em filmes, novelas e nas músicas do malandro Dicró, ou melhor, Carlos Roberto de Oliveira, conhecido como o terror das sogras.

Quem bom seria que todas sogras compartilhassem a mesma opinião da Vilamiga Gladys. Depois de conviver com duas sogrinhas, agora ela faz parte do time e mantém um bom relacionamento com a namorada do seu filho. "É como se fosse uma filha. Hoje temos que ser abertas e não ter ciúmes dos filhos, achando sempre que somos a mulher mais perfeita! Por favor convenhamos! Os filhos não são nossos, são do mundo", opinou.

Ao invés de virar letra de música, a convivência com a mãe do seu "ex-futuro" marido foi tão traumática que a jornalista Amanda Themístocles resolveu transformá-la em livro. O título "Minha Sogra Rima com Cobra" já diz tudo.

"A idéia do livro era me vingar da sogra, no sentido, de contar a minha versão dos fatos, das várias injustiças e humilhações que aconteceram comigo. Como jornalista, comecei então minha pesquisa. E tudo mudou, foi uma terapia e aprendizado. O livro acabou se tornando um material de apoio para quem vive essa relação conflitante. Hoje, eu acredito no seguinte. Entre a sogra e a nora, existe um grande pacificador, que é o parceiro. Quando o homem se posiciona e equilibra a situação, tudo isso se torna mais fácil. A sogra, também tem seus interesses que precisam ser compreendidos e respeitados, assim como o da nora", aponta a jornalista.

Sogra rima com cobra

Antes de chegar a essa conclusão, Amanda ouviu opiniões diversas de Syang, de Fábio Arruda e da sua colega de profissão Flávia Lippi, e também observou muitos textos bem humorados por aí. Segundo Amanda, o seu relacionamento de dez anos chegou ao fim com a ajuda da própria sogra "após a nossa separação, ele acabou engravidando uma moça por ‘acidente’", conta. Para Amanda, o relacionamento a três é como um jogo das cadeiras: quando a música para, um acaba ficando de lado e perde a partida. "Isso pode acontecer em todos os tipos de relações, entre pai, mãe e filho etc".

A disputa pelo amor do filho é algo que se explica por uma simples razão. Quem já passou pela experiência como Amanda e outras Vilamigas sentiu na pele do que se trata. "A mãe (sogra), sempre foi o referencial de mulher na vida do filho, foi até então a única mulher. E quando essa mãe é insegura como mulher, ela enxerga a nora como uma mulher que veio não para somar, agregar, mas para tomar o espaço que era então só dela. Despertando o monstrinho de olhos verdes, o ciúme. E aí, tudo começa". Mas isso não significa que toda a relação entre os três é um jogo sem saída. Para ambas as partes, é preciso colocar as cartas na mesa e sair da defensiva, melhor ainda, se colocar no papel da outra.

"Precisamos aprender não só a interagir, como também enxergar o outro lado da história, para que isso não se torne um ciclo vicioso de ciúmes e insegurança. A sogra é a mãe dele. O referencial de mulher, a pessoa que o criou, educou e acompanhou durante toda a vida. Como é para a sogra ver que o filho agora possui outra mulher em sua vida? Já pensaram nisso?", destaca a jornalista. Quando a mãe se sente trocada, a disputa começa e, na maioria das vezes, a atitude das noras é revidar. "Pronto, você acaba de arrumar um grande problema. Mãe é cargo vitálicio. Esposa, não!".


Por isso, boa vontade e paciência são sempre bem vindas. Para Amanda, nunca vai existir uma fórmula mágica de convivência, mas, em sua opinião, o grande responsável pela maioria dos conflitos é sem dúvida o ciúme. "A dica é sempre não deixar despertar esse monstrinho. É preciso ser segura e dar segurança". Mesmo porque, conforme ela, existem noras cobras e sogras boas também.

Por Juliana Lopes

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