Será que é fácil viver uma relação desconfiando do parceiro?

Sentir ciúmes é muito chato e pode ser um dos sentimentos mais incômodos que existem. Mas, como tudo que surge desagradável de dentro de nós, melhor é enfrentar. Dar nome a coisa, aceitar que sente, respirar a sensação, transmutar. É isso que liberta. Não dá para ficar como refém, apegado a energias desta natureza. É importante assumir a própria responsabilidade por isso, ao invés de ficar por aí projetando no outro o que não é dele. Gente muito ciumenta geralmente é intransigente e controladora, não apenas com os que gostam, mas em tudo que fazem. Isso pode ser também reflexo da carência de algo que acabou comprometendo a auto-credibilidade. Quem não acredita que pode ser amado e respeitado, tenderá muito mais a viver desconfiando de tudo e de todos. Esse descrédito pessoal gera baixa auto-estima e a crença de que se é menos belo, menos inteligente, menos atraente, menos interessante... Transformar tudo isso em auto-apreço e auto-permissão para se dar e viver mais prazer pode até não resolver de todo a questão do ciúme, mas já ajudará bastante .

Hoje, quando resolvi escrever esse post, descobri que, antes de tudo, eu deveria fazer uma ‘aula’ para poder falar com mais autonomia. Depois de uma longa conversa no Messenger, percebi que escrever sobre confiança é discutir uma grande incógnita em todos os relacionamentos (e posso não chegar a lugar algum com esse texto). Por mais que as pessoas afirmam, atualmente, que confiam em seus parceiros com plenitude, sempre há um pé atrás em relação aos atos das pessoas. Mas vamos lá, de acordo com a Wikipédia, confiar “é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a”. Mas, na vida real, é tão fácil assim?

O amor dos tempos atuais, tão questionado e discutido, geralmente é só mais uma atração para a maioria dos jovens, logo, é passageiro. No geral, ninguém espera que a primeira ficada da sua vida seja a última de todas, chegando ao “até que a morte os separe” logo de cara. Quando ficamos completamente apaixonados - e digo apaixonados mesmo, com todos os benefícios e males que o amor pode causar a alguém - queremos, por mais inconsciente que seja, ter certeza de que a pessoa amada será completamente nossa. E só nossa! Mas com a internet e as facilidades que dela provém, a traição se torna rápida e imperceptível. Hoje é possível conversar com alguém no Messenger sem que ninguém desconfie de nada, marcar um encontro em qualquer lugar e depois nunca mais ver a pessoa, só para satisfazer o desejo, que é efêmero e rápido. Bem diferente do amor, que, conforme esperamos, deve durar para sempre.

Mas até onde a desconfiança pelo outro vale a pena? Se você anda muito preocupada com isso, antes de fazer uma besteira, sente e converse. Em toda a relação devemos ter pleno conhecimento da vida do outro e liberdade para conversarmos de igual para igual. Ninguém é melhor que ninguém em um namoro, os dois estão ali, no mesmo barco, juntos, lutando pelo mesmo ideal. Logo, se você não tem liberdade o suficiente para conversar e deixar claro o que pensa, é melhor rever em que pé está essa relação.

Claro que isso leva um tempo para nascer e se desenvolver. Se, de um lado, não há movimentação, então tome a frente você e comece a deixar espaço para que o outro te indague, deixando bem claro o que você realmente quer. Lembre-se: quando você se joga em qualquer casinho, você perde a possibilidade de se relacionar abertamente com outras pessoas (a não ser que vocês tenham algo aberto). Se ficar sempre prospectando por aí, o outro nunca conseguirá confiar em você também.

É complicado gostar de alguém e viver em dúvidas com relação ao próprio sentimento, coisas do tipo ’será que tá valendo a pena?’ ou ‘tenho certeza que ele me traí’ só fazem com que você se sinta mais deprimida e insegura, o que gera mais desconfiança. Infelizmente, não vejo uma maneira de acabar com esse sentimento, mas sempre há formas de diminuí-lo. Ser transparente é o ideal. Mostre, sem vergonha ou medo algum, que você está ali com um propósito: amar e ser amado, unicamente, sem ninguém mais no meio. Fazendo isso, o outro, provavelmente, irá querer mostrar para você o que realmente quer

e houver vontade de mudar.

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