Ser amante - O relato da “outra”

Muitas mulheres que fazem o papel de amante preferem esse tipo de relacionamento, pois dispensam a parte ruim do casamento, como cobranças e discussões. O fator “não compromisso”, não precisar dar satisfação e mesmo assim estar acompanhada do homem que gosta, são vantagens que elas teimam em acreditar.

Aquela cena clássica do homem casado prometendo para a amante que largará a esposa faz parte do jogo. Raramente a separação ou divórcio acontece, o que não impede que o caso extraconjugal continue. Apesar de não gostarem de ser “a outra”, elas mantêm o relacionamento por vários motivos, como baixa auto-estima, interesse financeiro, esperança de que o amado se separe da esposa e, principalmente, o forte sentimento nutrido pelo parceiro.

A advogada Maria da Penha* se apaixonou por Ricardo* há quatro anos e conta que demorou a descobrir que ele era casado. Ela chegou a conhecer os irmãos dele e o assunto sobre o casamento nunca foi mencionado. Três meses após o envolvimento, a advogada descobriu a verdade por meio de amigos em comum. “Eu fiquei decepcionadíssima e envergonhada. Isso nunca tinha acontecido comigo e minha vontade era matá-lo”, conta ela.

Antes da revelação, o relacionamento dos dois era apenas casual. “Eu estava em transição na minha carreira e não queria me envolver seriamente com ninguém”, diz Maria. “Não era apaixonada por ele, mas tínhamos muita afinidade. Ricardo sempre foi muito atencioso, mais do que outros homens solteiros com os quais me envolvi. Por isso, não me importei em manter o relacionamento. Claro que meu desejo era que ele largasse a esposa, mas sabia que não ficaríamos juntos, mesmo se isso acontecesse”, continua.

Seis meses após a descoberta, Maria da Penha engravidou. “Eu fiquei chocada com a notícia, mas adorei. Se ele não quisesse assumir, eu teria o filho da mesma forma, pois era meu sonho. Eu já estava com 35 anos e não podia esperar mais”, declara. Para sua surpresa, Ricardo assumiu o menino, montou um apartamento para ela morar com a criança, que hoje tem dois anos, e paga todas as despesas da casa, escola, plano de saúde, entre outras.

A relação de Maria e Ricardo continua casual. Segundo a advogada, o filho foi o maior motivo para ela manter o relacionamento. “Eu mando na minha casa, nos meus horários e não tenho cobranças, a não ser as minhas. Às vezes, me pergunto se valeria a pena casar, como toda mulher. Acho que seria traída. Hoje, os homens estão incorrigíveis quanto a esse assunto”, desabafa.

A amante acha que a esposa desconfia que o marido tem outra família, mas ela nunca se manifestou. No caso de Maria da Penha, aconteceram poucos conflitos, pois não havia tanto sentimento envolvido entre ela e o homem. As coisas se ajeitaram, talvez até por comodidade de ambas as partes. Mas quando existe amor, o sofrimento das mulheres é nítido. “O que vale é ser feliz. Preferi ser ‘a outra’ a ser a traída e enganada”, afirma ela.

* nomes fictícios

Fonte - MBPress

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