Sequestro de jornalista canadense vira filme

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Foto - Reprodução/Twitter

A jornalista canadense que foi sequestrada e mantida em cativeiro na Somália por 15 meses terá sua história contada em um filme. Amanda Lindhout, 33, fazia uma reportagem com o fotógrafo Nigel Brennan no país quando foram capturados por fundamentalistas islâmicos em agosto de 2008.Ela sofreu abuso sexual e conta sua experiência.

Os dois só foram libertados depois que suas famílias pagaram cerca de R$1.300 milhão pelo resgate após negociarem com os criminosos depois de desistirem da ajuda dos governos do Canadá e Austrália.

O filme será baseado no best-seller "The House In The Sky" escrito pela própria jornalista após ser libertada. Em entrevista ao jornal "Bangor Daily News", Lindhout contou que o conceito de House In The Sky, casa no céu, em português, era o lugar em sua imaginação em que se refugiava quando sofria os constantes abusos.

"Era o lugar na minha memória e imaginação que me ajudou a sobreviver. A realidade da minha experiência foi de muita violência. Era difícil sobreviver a um dia e eu não sabia quando ou se [o abuso] teria fim."

Foi durante um destes momentos em que a jornalista teve o que ela chama de "momento de despertar", no qual ela conseguiu forças para perdoar. "Abdujllah estava abusando de mim, quando tive quase uma experiência extra corporal", lembrou. "Me peguei olhando para baixo e vendo a mim mesma no chão".

A canadense contou ter percebido que os criminosos só conheciam a violência. "Estava muito claro que meus sequestradores eram produtos de guerra e certamente foram moldados assim. Ter este entendimento me ajudou. Eles são seres humanos com histórias tristes. Isto não os faz inocentes, mas são produtos de uma cultura de violência", afirmou.

Quatro meses após o sequestro, Lindhout fundou uma ONG batizada de Global Enrichment Foundation, que dá educação para mulheres na Somália. Foi este trabalho que fez com que um dos criminosos entrassem em contato pelo Facebook e elogiasse sua iniciativa. "O fato de eles saberem do trabalho que faço agora, de saberem que escolhi a compaixão, de verem que não puderam me destruir, é a melhor justiça que pude ter", disse.

Os direitos do filme agora são da Annapurna Pictures. A empresa produziu premiados longas como "Trapaça" e "A Hora Mais Escura". A atriz Rooney Mara, que fará o papel de Lindhout, foi indicada ao Oscar em 2012 pela interpretação no longa "Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.


Por Vila Mulher

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