Separação é para ser celebrada?

Separação é para ser celebrada

Foto/arquivo MBPress

Há quem considere a separação um processo doloroso, que faz com que os envolvidos fiquem tristes e reclusos, esperando a dor passar para darem seguimento à vida. A decepção por terem apostado numa relação que não deu certo deixa muitas pessoas apáticas por longos períodos e a volta por cima às vezes é um processo demorado.

Por outro lado, há gente que enxerga a situação de maneira bem diferente. A dor que antes era algo íntimo e pessoal ganha agora as redes sociais por meio de posts e fotos que mostram o quanto os ex-parceiros estão sofrendo - ou não - com os rompimentos. E, em certos casos, alguns ex-casais usam a criatividade para provar que não é tão complicado assim superar um rompimento amoroso.

Um exemplo disso é o casal norte-americano Ivory King, de 31 anos, e Jonathan Mann, de 30. Para evitar ter que explicar para cada amigo os motivos da separação, os dois decidiram fazer um vídeo com direito a música e coreografia para dizer que o casamento de cinco anos havia chegado ao fim. O motivo foi que ele queria ter filhos, mas ela não.

Na opinião do psicólogo Thiago de Almeida, nomeado pela ABI (American Biographical Institute) como o maior especialista em relacionamentos amorosos do Brasil, a exposição de momentos até então considerados particulares não representam a realidade interna de quem está passando pela separação. É apenas uma forma de tentar mostrar para o outro que foi capaz de superar a situação e dar a volta por cima.

"Esta manifestação muitas vezes é uma mentira, pois não houve tempo para o afastamento, para a elaboração de um luto, de uma perda de alguém especial. Com o surgimento das redes sociais as pessoas passaram a ter a necessidade de mostrar que o ex tornou alguém sem importância mais rápido do que seria o esperado", comenta.

Conforme explica Dr. Thiago, normalmente o processo de aceitação é lento e composto por quatro fases: negação (tapar o sol com a peneira), raiva (verbalização de chateações e atitudes estremadas, por exemplo), barganha (dizer, por exemplo, que vai morrer se a pessoa for embora) e tristeza (quando todas as atitudes possíveis são tomadas e a pessoa não volta).

Festa do divórcio

Por outro lado, a empresária Meg Sousa pensa como o casal norte-americano e vem provando que o fim de um casamento não precisa ser algo triste. Após se separar, pesquisou na internet como outros países lidavam com isso e descobriu que alguns faziam até mesmo uma festa. Foi aí que decidiu fazer uma para ela aqui no Brasil.

Com a ajuda da assessora de casamentos Tatiana Bandeira, Meg foi a primeira pessoa no país a fazer uma festa do divórcio , em 2009, ano em que se separou legalmente. "Hoje a festa virou um negócio. Eu e a Tatiana somos sócias e já fizemos cerca de 20 eventos do gênero", conta. "As mulheres são as que mais procuram pela festa. Em segundo lugar estão os casais, seguidos dos homens", comenta.

A festa de Meg fez o maior sucesso. Tanto que os convidados queriam mais. Então no ano seguinte ela fez outro evento intitulado bodas de papel rasgado e no ano seguinte fez a terceira e última. "A separação não precisa ser um luto. E queria mostrar para meus amigos que eu estava bem, tranquila", explica.

Eventos desse tipo podem ser simples, para até 30 pessoas, ou grandiosas, para 200 pessoas. O bolo é dividido ao meio, em vez de bem casado tem bem separado e as lembrancinhas são diferenciadas, como um kit ressaca (com engov, sal de frutas e chiclete), ou mais românticas, representadas pelas pílulas do amor. O noivo pode ainda entrar com uma drag queen e a mulher com um gogo boy e ter um juiz para decretar o divórcio.

"Há buffet, coquetel, DJ... tudo depende do cliente. É como se fosse uma festa de casamento, mas ao contrário", conta Meg. Mas a iniciativa não sai barata. Se o anfitrião quiser reunir até 50 pessoas, pode desembolsar até R$ 7 mil. Já para 200 convidados pode chegar a R$ 50 mil, por conta da contratação de pessoas e aluguel do espaço.


A empresária não acha que esse tipo de festa banaliza a separação. Pelo contrário, ações como essa quebram o tabu que diz que esse momento deve ser sempre triste. "No meu caso a separação foi de comum acordo. Meu ex até foi chamado para a festa, mas disse que tinha outro compromisso e não pode ir", lembra.

E completa: "Hoje as pessoas não ficam mais sofrendo em casamentos fracassados. Elas querem a felicidade. Hás alguns anos as mulheres ficavam casadas por causa dos filhos, mas hoje podem trabalhar e sustentar uma família. Se o casamento não deu certo, termina e começa uma nova vida ao lado de outra pessoa ou sozinha."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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