Romance da Depressão

Romance da Depressão

Foto/Reprodução

Quando as luzes são apagadas e não há nada além de um zumbido nos ouvidos com a culpa por ser tão tarde, é hora de ir para casa.

A festa acabou. E faz tempo.

Difícil é admitir que talvez 90% da festa esteve nos planos, na preparação e na incomensurável expectativa.

E quando as coisas não saem da maneira que imaginamos, colocamos a culpa no sapato caro e apertado, na comida fria, na música monótona e no garçom mal humorado.

Mas insistimos no erro, e resistimos até o fim. Não reconhecemos que aquela festa para a qual havíamos nos preparado foi arrebatada pela inevitável realidade. E mais cedo ou mais tarde, a maquiagem começa a borrar e fica difícil manter a postura de início de noite.

Para o bem ou para o mal, essa é a dinâmica do amor romântico. É uma festa com grandes promessas. Cumpridas ou não, memoráveis ou com lembranças que maravilhoso mesmo seria esquecê-las, a abóbora volta para te buscar mais cedo ou mais tarde.

Amor romântico é igual a chocolate belga. Quanto mais você espera por ele e quanto maior a intensidade com que o experimenta, pior você fica quando ele acaba: mais pesada ou com mais espinhas.

Está na hora de ir pra casa e enfrentar o domingo. A circunstância sempre nos puxa pela mão e é hora de ceder. Admita que acabou.

Nos apegamos ao plano e negamos que ele foi frustrado - ou no mínimo concretizado apenas por algum tempo.

E final de festa é muitas vezes aquele vazio de "e agora"?

No entanto, não importam os planos de sábado: concretizados ou não, a musiquinha do Fantástico no domingo à noite é a única garantia irrevogável.

Não me leve a mal. Não sou uma desiludida. Tenho meus momentos e passo a maior parte do tempo com a cabeça nas nuvens. Mas não adianta negar: embarcar no amor romântico não engana ninguém.

Afinal, ele sempre cumpre a promessa que estava em fonte tamanho 6 desde o início: tudo passa e veio para passar. O que sobrou? Bolhas nos pés, olheiras, ressaca, brinco perdido, e uma vontade de viver o domingo equivalente a zero.

Mas sabe de uma coisa? A festa passou, mas a ressaca (moral?) também vai passar. Para isso não são necessários contratos de garantia.


Então, quando a festa acabar, coloque um sapato baixo, durma até tarde e deixe que a natureza cuide do resto. Afinal, nada mais natural que o tempo. Esse é o único preço. Tempo, paciência, persistência e um sorriso no rosto.

E quando as bolhas forem embora, as olheiras passarem, e o que mais veio no pacote for embora, é hora de reformular os planos de final de semana. Por exemplo: será que aquele sapato de dar inveja compensa tanto sofrimento?

E acima de tudo, persistência. Metáforas à parte, o domingo sempre chega e a realidade sempre nos arrasta de volta para casa. Mas sempre há uma sexta-feira à noite nos esperando logo ali na esquina.

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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