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Fico imaginado como seria bom se pudessemos ver, como num filme, como seria a nossa vida se tivessemos feito outra escolha no passado. Sabe, eu penso que todo mundo deveria ter o direito de voltar no tempo e consertar os erros, seguir o outro caminho, voltar atrás nas decisões, enfim, ter uma segunda chance. O quanto teriamos mudado o rumo da nossa vida hoje se tivessemos esse poder...A nossa vida é cheia de momentos mágicos e cada instante compõe toda a nossa existência e às vezes basta apenas uma palavra,uma frase ou um gesto no momento crucial pra mudar todo o rumo da nossa história. Esses questionamentos me vieram em mente hoje pela manhã quando concidentemente encontrei um antigo namorado no supermercado. Quase que eu não o reconheço, se não fosse pelo sorriso que continua o mesmo, teria passado despercebido. Cabelos grisalhos, mais cheinho (ainda bem, eu também engordei), o mesmo estilo largado de se vestir, o mesmo jeito de passar a mão no cabelo... Confesso que fiquei sem graça, tentei disfarçar olhando pro outro lado, mas ...rs..ele contina o mesmo: Percebendo que eu virei as costas pra não falar com ele, se apressou, pegou no meu braço e disse: "Menina! que bom te ver...quanto tempo!" sequer me deu chance de pegar o carrinho e sair de perto, ou de fingir que eu não havia o reconhecido. Poxa, se ele tivesse me perguntado 'lembra de mim? ' eu teria apertado os olhos fazendo uma expressão de esforço pra tentar lembrar, e depois teria dito "talvez...vc é o...fulano? ' Mas não. ele foi direto na mira, muito menos se incomodou com o meu constrangimento. Sabe, quando acontece de vc não ter o que falar, e dá respostas vagas, tipo "pois é..."? Sou muito observadora e rapidamente dei uma vasculhada no carrinho de compras dele e pude avaliar, antes que ele me dissesse, que está solteiro. Barbeadores, comida congelada, coca-cola, biscoitos champanhe, comida de gato...Não vi absolventes, xampu sem sal, muito menos achocolatado (coisa de adolescente), nem quilos de cereais que pessoas casadas costumam comprar. Foram dez minutos de conversa. Casou, separou, morou fora dez anos, tem dois filhos, é auditor fiscal, e no momento está "ficando" há um ano com uma moça da cidade que ele trabalha. Procurei resumir o máximo a minha vida. Dei respostas vagas, pouco consistentes, queria poder dizer que havia me formado, que era uma profissional bem sucedida, que tinha feito várias viagens, sei lá...Me deu uma sensação de que ele tivesse partido e eu tivesse ficado pra trás...Perguntou sobre meu marido, se ele continuava no banco, qts filhos eu tinha, onde morava... Bom, nos despedimos com um aperto de mão, antes pediu meu telefone pra que eu desse notícias dos amigos, mas eu falei que no momento estava sem (mentira). Mandou lembranças ao 'maridão sortudo' e anotou seu telefone, sem eu eu pedisse, na embalagem da lasanha que estava no meu carrinho. Vinte e cinco anos se passaram desde o ultimo dia em que nos vimos. E foi somente por um intante, uma palavra que ele nunca deveria ter pronunciado, que tomamos rumos diferentes em nossas vidas. Pensando bem...foi melhor assim. Quando vejo o meu filho lindo, a boca com o mesmo desenho que a do pai, minha filha com as mesma características, o modo de andar, tudo parecido com meu marido, pai dela; minha casa, meu marido ...enfim, minha vida, tudo isso me faz crer que fiz a escolha certa, que acertei o caminho.

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