Relacionamento e marketing

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Relacionamento e marketing

Divulgação

Na hora da conquista, todo mundo tem a dica pronta. Mas quando o assunto é manter o relacionamento, a coisa complica. A rotina toma espaço e se investe cada vez menos naquilo que já se tem. As empresas fazem a mesma coisa, se preocupando mais em conquistar novos clientes do que manter os atuais. E o comportamento passivo abre espaço para uma concorrência que pode abalar as estruturas. Quando você acredita que a situação está sob controle, tem sempre alguém querendo ocupar os lugares vazios.

E é disso que André Figueiredo Maciel fala no livro “A Fila Anda, mas não Empurra que é Pior - uma abordagem de marketing sobre relacionamentos amorosos”, da Editora Fábrica de Leitura. No meio dos argumentos de André, fica difícil saber se ele está tratando de marketing ou de relacionamentos amorosos. Isso porque, segundo ele, há muitas semelhanças entre esses processos de mercado e a escolha que homens e mulheres fazem em seus relacionamentos.

O ideia do livro nasceu quando André ainda estava na faculdade e as semelhanças do comportamento humano nas duas áreas eram motivo de conversas (de bar, normalmente). Quando fez o mestrado, na França, em 2006, André teve ócio criativo suficiente e necessário para começar a colocar as ideias no papel. Aos poucos, foi escrevendo e compartilhando com os amigos mais próximos, até chegar ao formato final do livro. O livro traz como ingredientes exemplos reais (aproveite para rir deles antes que aconteçam com você), um pouco de filosofia e um grande desejo de que você tenha “relações de consumo” mais proveitosas e saiba como melhor conduzir a gestão do seu afeto.

André Figueiredo Maciel autor do livro “A Fila And

André Figueiredo Maciel, autor do livro “A Fila Anda, mas não Empurra que é Pior - uma abordagem de marketing sobre relacionamentos amorosos”

As semelhanças entre as duas áreas - marketing e relacionamento - são a base do livro, tendo como foco principal o comportamento humano. “Se lembrarmos de expressões como satisfação, conquista, lealdade, começamos a ver como as duas áreas se aproximam. Falamos em satisfação com a relação e em marketing se fala satisfação do cliente; usamos a palavra conquista nos relacionamentos e também em conquista de mercado; fala-se também de lealdade ao outro e lealdade à marca”, diz André. Ele acredita que o marketing e os relacionamentos se tangenciam por duas razões principais: ambos têm o ser humano como elemento principal e em ambos é preciso entender e satisfazer o outro para se ter um relacionamento duradouro.

Em entrevista ao Vila Dois, André conta que tem namorada e jura que a mantém na zona de encantamento. “Em marketing de relacionamento, o mais importante é manter um diálogo constante com o cliente e se adequar, ao longo do tempo, às suas mudanças de preferência, necessidades e desejos. Mas aí já é outro livro (risos)”.

Na hora de escolher um parceiro ideal, é como se estivéssemos escolhendo um produto?

As pessoas definitivamente não são produtos. Por outro lado, vejo o processo de decisão na área do consumo e dos relacionamentos como algo semelhante. Não baseamos nossa decisão apenas em preço e qualidade. Na hora de escolher uma roupa, pensamos não só em preço e qualidade, mas no que ela vai passar para os outros sobre mim e no que eu vou sentir ao usá-la. Tirando as situações de amor à primeira vista (sim, ainda podem existir), a decisão é sempre uma mescla de emoção e de razão, que passa pelas etapas de identificação da necessidade, avaliação das alternativas, tomada de decisão e avaliação pós-compra.

Cada pessoa carrega uma marca?

Acredito que sim. Assim como você tem uma imagem profissional, você tem uma marca pessoal também. Quando você fala, faz, veste, você está comunicando algo para as outras pessoas. Estas comunicações vão acabar formando uma imagem sua. O perigo é quando se usa a propaganda enganosa, gerando uma imagem diferente do que você é, pois, deste modo, você estará criando expectativas que não poderão ser atendidas. O provável resultado disso será a insatisfação do cliente. Aí, já viu, insatisfação é o primeiro passo para a infidelidade.

Os relacionamentos seguem um pouco a lógica do consumo, quase descartáveis. Qual a sua opinião sobre essa questão?

Feliz ou infelizmente (o propósito do livro não é julgar o mérito da questão), os relacionamentos estão mais descartáveis sim. As pessoas se separam mais, se juntam mais. Atualmente, a experimentação faz parte da construção da nossa personalidade. As opções de produtos, de carreira, de programas, de canais de TV, de celulares são tantas, que a nossa angústia nos leva a experimentar. É como se a experimentação nos desse uma segurança maior para tomar uma decisão final. Em função disto, para manter um relacionamento, o nível de energia investido tem que ser ainda maior para que a fila não ande.

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Você escreve que a mulher não se valoriza se vai para a cama logo no primeiro encontro. Pontinha de machismo nisso?

Esta é uma pergunta recorrente (risos). Quando dou a entender isso no livro, não estou dizendo que a mulher que vai para a cama logo no primeiro encontro é uma criminosa, devassa ou pior do que a que não vai. A idéia, um pouco mais ampla, é de que produtos de mais difícil acesso são naturalmente mais desejados, mais valorizados. Os produtos de luxo são assim, sendo mais desejados na proporção inversa em que são acessíveis, baratos. Tudo que é muito fácil, a gente tende a não valorizar. De alguma forma, esta percepção está ligada a nossa natureza de valorizar a busca, a conquista.

Você acha mesmo que a fila anda? E a lógica vale tanto para eles quanto para elas?

Acho que vale para ambos. A variedade é cada vez mais aceita em todas as áreas do comportamento. Antes, ou você era de direita ou de esquerda, agora você pode tranquilamente ser “centro”. Antes, ou você escutava música clássica ou não era alguém culto, erudito. Hoje, o culto é aquele que entende e ouve um pouco de tudo, até funk. Então, se você quiser que a fila não ande, tem que cuidar bastante da relação mesmo, porque a mudança é cada vez mais aceita e encarada como normal. Sem contar que a concorrência está sempre na varanda (risos).

Por Sabrina Passos (MBPress)

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