Relacionamento aberto dá certo?

Relacionamento aberto

Foto: Thomas Schweizer/CORBIS

Você já teve a experiência de sair com os amigos, encontrar uma pessoa superlegal, bater aquela química, mas deixar tudo de lado porque não estava solteira? Já pensou que o envolvimento seria possível se você estivesse em um relacionamento aberto? Tem gente que testou essa possibilidade e vive muito bem com isso.

A exemplo do casal Catarina e Pedro*. Eles namoram há um ano e mantém relacionamento aberto há pouco menos. Apesar de o modelo ser novo na vida dos dois, parece que está dando certo.

Tudo começou depois de a empresária terminar um relacionamento de sete anos - por conta de uma traição - e decidir que não namoraria mais ninguém. Pouco tempo depois, começou a se envolver com Pedro. O curioso é que, desde o início, eles admitiam a possibilidade de se relacionar com outras pessoas, contanto que houvesse a sinceridade de assumir.

"No começo, o nosso combinado era de evitar acontecer, mas, se acontecesse, deveríamos contar ao outro. Algum tempo depois, assumi a vontade de fazer um ménage e começamos a procurar outras mulheres. Daí para abrir o relacionamento completamente foi natural", explica Catarina.

No entanto, algumas regras fazem parte do relacionamento do casal, como contou a paulista: "Sempre devemos contar um ao outro sobre o que acontece, não podemos mentir às outras pessoas sobre estarmos namorando (no intuito de não enganar ninguém) e, se algo estiver incomodando qualquer um de nós, precisamos conversar a respeito".

O tradutor de 37 anos afirma que nunca teve muito ciúme, mesmo quando mantinha uma relação fechada. "Sempre me preocupei mais com a pessoa que eu gosto estar comigo do que proibi-la de estar com outros", conta. O casal concorda que o ciúme surge quando existe a sensação de se estar sendo excluído - situação que pode ser resolvida com mais diálogo.

"Discutir a relação, para nós, não é algo ruim ou pesado. Muito pelo contrário! Isso representa o compartilhar de experiência e sentimentos, além de trazer uma sensação de cumplicidade ímpar", afirma Pedro.

O que a psicologia fala a respeito?

A psicóloga Fátima Orsi aponta que os relacionamentos abertos costumam ocorrer a partir de um casal monogâmico que deseja viver outras experiências sexuais sem estabelecer vínculo afetivo com a terceira pessoa. "Nesse caso, o relacionamento sexual é casual, mas determinadas regras são estabelecidas e o essencial para que este modelo se sustente é a honestidade entre os envolvidos", explica.

Existe também um sentimento chamado de "compersão" (sentimento de alegria ou de felicidade de uma pessoa ao ver seu parceiro amoroso feliz com outra pessoa) que, embora seja mais frequente em praticantes do Poliamor (relacionamento "sério" com mais de uma pessoa), também pode se manifestar no relacionamento aberto. "Normalmente este termo é usado quando esta felicidade ou alegria está associada ao prazer sexual", esclarece a profissional.


Caso você tenha se interessado pelo modelo, é preciso que a cumplicidade e a confiança entre você e seu parceiro sejam muito fortes. "Eu recomendo pensar no assunto criticamente, tentando evitar os preconceitos incutidos em nós pela monogamia compulsória e, na medida do confortável, experimentar", indica Pedro, lembrando que não há fórmula definitiva para dar certo.

Que mal existe em tentar? O padrão nem sempre é o único modelo correto e todas as pessoas têm o direito de procurar sua felicidade das mais diversas maneiras. O importante, na realidade, é que você se sinta confortável em experimentar.

* Nomes fictícios foram usados para manter a integridade dos entrevistados.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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