Relação no piloto automático pode não decolar

Relacionamento com ou sem rotina

Foto de capa do aplicativo The Ice Break, que promete ajudar casais enviando mensagens, presentinhos, entre outros serviços.

Acabamos atribuindo tantas tarefas ao nosso dia a dia que podemos ficar sem tempo para as coisas que realmente importam, ou pior, para as pessoas que realmente importam. É assim que muitas relações caem na mesmice, na rotina, e o casal passa a não ter tempo nem para pensar na relação.

Preocupada com estes parceiros, a designer americana Christina Brodbeck criou o "The Icebreak", um aplicativo que promete ajudar os casais a prestarem mais atenção um no outro e a ampliarem o diálogo.

O psicólogo clínico, doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP, Dr. Ailton Amélio confirma que a vida moderna pode afastar as pessoas, principalmente os casais. "Este é um dos principais motivos de separação. As pessoas passam a centrar suas energias em diversas atividades e a relação acaba ficando em segundo plano. Mesmo quando estão juntos, não estão presentes", avalia o psicólogo.

Ao levar a relação no "piloto automático" o casal acaba "engessando" as ações. "Eles agem sem pensar nas coisas que estão fazendo", ressalta Dr. Ailton. Ele explica que de repente o companheiro tem o mamão como fruta favorita, mas isso era há 10 anos. Hoje, ele prefere abacaxi e a companheira não sabe. Isso exemplifica o que ele chama de relacionamento engessado. O casal não se atualiza sobre os gostos e preferências de cada um, justamente por estarem preocupados com outras coisas.

Ninguém dá este destino à relação por escolha consciente. "Quando a pessoa sente que está em uma relação segura passa a se sentir mais confiante e se preocupar menos, não tem medo de perder", explica. O indivíduo passa a se dedicar a situações emergenciais, coisas que ainda tem que conquistar.


Embora a maioria dos casais mantenha a atenção necessária, muitos só se dão conta do que está acontecendo quando as brigas e desentendimentos ficam evidentes e inevitáveis. "Quando eles chegam ao consultório para fazer terapia de casal, na maioria das vezes, já é tarde demais. Já discutiram e se magoaram muito", lamenta Amélio.

Um dos meios mais eficientes de avaliar a situação do relacionamento é prestar atenção em como está a vida sexual. "Estes é um dos primeiros pontos a sofrer com o esfriamento da relação", aponta. Sobre o tema o psicólogo escreveu um livro chamado "Para viver um grande amor". "É possível manter o sexo interessante a vida toda", finaliza.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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