Recém-casada. E agora?

Recémcasada E agora

Marina com Guilherme e a pequena Ana Letícia.

A união dos dois se torna oficial quando o casal toma a decisão de trocar as alianças. E com ela começa uma nova vida que não implica apenas em juntar as escovas de dente. Se não bastassem as dúvidas e cobranças da família e da sociedade, o casal que não estava acostumado a conviver junto começa uma nova aventura a dois.

Cada um leva a sua história de vida, suas manias e costumes. Marina Miranda Fiuza, 27 anos, professora de ensino infantil, era mãe-solteira e não se imaginava casada um dia. "Desde que fiquei grávida sabia que aquele bebê era só meu. Nunca esperei nenhuma ajuda do pai dela, apesar de ter recebido apoio de sobra da minha família". Ela dedicava todo o seu tempo à filha e ao trabalho, vivia em um mundo a parte com ela, e não se permitia ter um convívio com outras pessoas. "Estava completamente habituada à solidão. Quando o Guilherme apareceu, eu não achava que havia espaço para ele neste nosso mundinho cor-de-rosa", conta.

Mesmo assim começaram os dois a namorar. E com um tempinho exclusivo para eles. "Aí nossa sexualidade fluía plenamente", pois a pequena Ana Letícia ficava com a avó quando os dois saíam juntos. Mas quando os três passaram a viver sob o mesmo teto, a rotina mudou. "A minha libido se perdia entre os brinquedos e as mamadeiras. Uma vez li que uma casa com criança é o ambiente menos estimulante para o sexo. Se a vida de recém-casados é uma maratona sexual para alguns eu não sei, porque conosco foi o contrário. Quanto mais nos acostumamos com a vida a três, mais a sexualidade ganha espaço", ressalta.

Guilherme, seu atual marido, já fazia parte da vida da professora há muito tempo. Os dois eram colegas de classe durante a oitava série e tinham em comum a paixão pelos Beatles. Depois disso os dois mantiveram contato via e-mail. "O nosso reencontro é mérito todo dele. Eu tinha acabado de me mudar para o interior de Minas e ele para São Paulo. Eu sozinha lá, ele aqui. Até que um dia ele resolveu passar pela cidade onde eu morava e desde aquele dia nossa história de amor começou", relata.

Marina conta que o início do casamento não foi fácil, principalmente porque eles não fizeram o um "test-drive" para ao menos saber como é dividir o mesmo espaço. Com a convivência, as manias dele passaram a ser delas também, além disso pequenas atitudes também viraram motivos para briguinhas, entre elas, deixar as roupas jogadas pela casa ou pisar no tapete do banheiro com o sapato da rua.

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"Se a convivência entre um casal já pode ser algo estressante no começo, imagina como foi o nosso início de casamento a três". Apesar de o marido estar disposto a cuidar de Ana Letícia, a pequena que completa seis anos em setembro, não estava acostumada com a presença de um pai na família, mais ainda, em dividir a mãe com alguém.

"As crises de ciúmes me faziam questionar se aquele relacionamento valia mesmo à pena. E quando ele me via abalada, também tinha suas inseguranças. Ou seja, para que este quase triângulo amoroso desse certo, foi preciso que nós três cedêssemos de alguma forma", diz.

Depois de um ano de convivência muita coisa mudou. Ana passou a chamar Guilherme de pai naturalmente. "Os dois se amam e, às vezes, quem fica chupando o dedo sou eu", brinca. Marina conta que a pequena se decepciona quando é ela quem vai buscá-la na escola e não o pai.

Com o passar do tempo Guilherme passou a entender que além de mulher, parte da vida de Marina também estava ocupada com a maternidade. " Já eu tive que sair daquele cômodo mundo de mãe-e-filha e voltar a ser mulher, aprendendo que minha vida poderia ir além da maternidade. Não estou dizendo que minha filha passou a ser menos importante, apenas percebi que meu mundo poderia se ampliar e que no meu coração cabia mais amor".

No final das contas, Marina se deu conta que ultrapassar uma etapa e já começar o casamento com filhos se tornou uma vantagem em relação aos outros casais, que entram em crise por conta do nascimento dos filhos. "Desde o princípio da relação já tivemos que enfrentar essas questões. Se mesmo nas nossas condições ele topou encarar e eu também, acho que já temos uma crise superada. No final das contas, percebi que é muito bom poder dividir a responsabilidade, e as alegrias, de um filho com mais alguém", ressalta.

Apesar de não haver a festa oficial entre a família, o casório foi realizado no civil "quem sabe celebraremos nossos cinco ou dez anos com uma festa maior". Marina conta que na época da união, ela teve que se preocupar com a mudança para São Paulo. "Pensar em detalhes de uma festa de casamento teria nos enlouquecido. Além dos gastos que isso nos causaria, é claro". A gerente de comunicação Renata Vaz de Almeida também não realizou festa de casamento, para ela e o seu marido a união foi oficializada quando os dois começaram a morar sozinhos no próprio apartamento, isso após a cerimônia no civil em julho de 2008.

E foi nessa hora que os dois começaram a conviver com as diferenças do dia-a-dia. "Quando começamos a morar juntos descobrimos que temos "fusos" completamente diferentes! Eu gosto mais de acordar cedo no fim de semana e ele adora dormir até bem tarde. Eu acordo de bom humor, querendo abrir a janela e ver o sol, e ele adora ficar no quarto no escurinho até meio dia", conta.


Com um bom planejamento, os dois organizaram as finanças e sonharam com o novo lar juntinhos. Desde o financiamento do apartamento até a compra da TV, cada passo foi uma conquista para o casal. "Antes do casamento, a melhor coisa foi sair para comprar as coisas da minha cozinha, escolher os utensílios. Agora nós ficamos mais unidos e comprometidos com os nossos sonhos. Hoje realmente somos um só, tudo o que vai se fazer ou que vai comprar ou planejar é feito a dois! Nada importante é resolvido sozinho", finaliza.

Por Juliana Lopes

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