Realização afetiva

Assistindo esses dias um documentário na TV me lembrei de uma experiência marcante que vivi há tempos atrás. Divorciada há alguns anos, eu me dedicava intensamente à carreira de palestrante, que me proporcionava muita satisfação e realização. Na época não tinha namorado nem companheiro, e para ser bem franca sequer sentia falta de um. Minha vida parecia tão gratificante e completa que nem parecia haver espaço para um relacionamento amoroso. Pois eis que de repente me vi apaixonada por um homem, e, depois de relutar um pouco contra esse sentimento, assumi minha paixão e parti com tudo para a conquista amorosa. E me dei muito mal.

O que aconteceu é que agi como um trator, com a mesma objetividade, competitividade e determinação que regiam minhas atitudes como profissional. Havia me tornado uma mulher pragmática, calculista, cheia de expectativas, tão focada em meus objetivos que não via mais nada - não via nem mesmo o homem por quem estava apaixonada. Não considerei os sentimentos dele, não esperei o tempo dele, não lhe dei espaço, não soube seduzi-lo. Não é de se surpreender, portanto, que minha paixão tivesse terminado em nada.

Depois de sofrer essa desilusão amorosa, comecei a perceber que o que aconteceu comigo acontecia também com outras mulheres bem-sucedidas na carreira profissional. Ouvi muitas queixas de insatisfação afetiva e dificuldade em manter um relacionamento que fosse além da primeira noite. Cheguei à conclusão de que um dos motivos porque isso acontece é que, para ter sucesso no mundo profissional - onde precisamos ser competitivas, assertivas, objetivas e racionais -, acabamos reprimindo nossa natureza sensível, compreensiva, amorosa e paciente, tão importante no relacionamento com um homem. E passamos a ter, no amor, as mesmas atitudes imediatistas que se esperam da mulher que persegue resultados nos negócios.

No meu modo de ver, isso tem deixado muitas mulheres ansiosas e confusas. Ansiosas pela conquista amorosa, como se precisassem ser sempre bem-sucedidas nesse aspecto para afirmar sua feminilidade, sentir-se aceitas e valorizadas. E confusas porque, no íntimo, o que a mulher busca é o vínculo de parceria, confiança e cumplicidade com um homem, vínculo que parece cada vez mais difícil de estabelecer nesses tempos em que as pessoas "ficam", mas nunca "estão" verdadeiramente uma com a outra e mais dificilmente ainda "são" uma para a outra.

Realmente, ter um relacionamento amoroso bem-sucedido hoje em dia parece complicado, mas não precisa ser. Os homens também querem amar e acreditam no amor. Sendo assim, então, o que é preciso para que o relacionamento afinal aconteça e proporcione satisfação, alegria e plenitude para nós e para eles? No meu modo de ver, o ponto de partida deve ser o relacionamento que cada um tem consigo mesmo, o que implica o autoconhecimento.

Se valorizamos o autoconhecimento, procuraremos também conhecer o homem por quem nos interessamos, saber quais são as afinidades e diferenças que há entre nós. Nos interessamos em conhecer suas intenções e razões.


No final das contas, você talvez chegue à conclusão de que mulheres e homens buscam, cada um à sua maneira, a mesma coisa: realização afetiva. Que possamos então nos encontrar em algum ponto de nossos caminhos, pois, embora sejam caminhos diferentes, eles sempre se cruzam!

Colunista do Vila Sucesso e Vila Equilíbrio, Leila Navarro é palestrante motivacional e comportamental, além de ser empresária e Presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano.

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