Quando o trabalho pode ajudar a esquecer um grande amor

Dor de amor

Quando um relacionamento chega ao fim, a dor é inevitável. As pessoas encontram maneiras diferentes de lidar com a situação. Algumas acabam por se isolar, outras se dedicam ainda mais ao trabalho. Essas últimas não são poucas.

O psicólogo Paulo Sergio Estevam, acredita que se dedicar muito ao trabalho não ajudará a superar a tristeza, porém poderá ajudar a não pensar, todo o tempo, na situação que está causando sofrimento. "Como se fosse uma compensação, uma substituição de algo que está nos faltando naquele momento", diz Paulo.

Andreia Calçada, psicóloga clínica e psicoterapeuta, lembra que o que é um auxílio pode se tornar um problema quando se torna obsessão. "O problema é se esse empenho no trabalho a fim de esquecer um sofrimento, se prolongar demais e a pessoa passar a gastar muita energia somente nisso", diz a psicóloga. "Ela não pode deixar que isso se torne uma forma de se esconder e de fugir das relações", completa. Andreia recomenda que a pessoa tome essa atitude, se julgar necessária, mas que depois de "digerir" ela volte para outras relações.

"Sofri como qualquer mulher, mas estava iniciando minha segunda faculdade e então me foquei nos estudos. Após seis meses, já estava bem e então arrumei um emprego", diz Camila Toscano, 22 anos, diretora de marketing de uma empresa. "Algumas pessoas nesse momento (da separação) podem ‘mergulhar’ no trabalho em excesso, nada além disso, e quanto mais a pessoa vai produzindo, mais vai se sentindo recompensada", justifica o psicólogo.

A empresária Denise Dambros, 27 anos, diz: "Eu acredito que nós temos que usar o momento da separação para nos valorizar mais. Porque independente do motivo que tenha levado o relacionamento ao fim, sempre acaba ficando aquele ‘vazio’, nessa hora nos culpamos". "Fui trabalhar uma semana chorando, mas naquele mês o meu trabalho rendeu como nunca. Acabei entrando de cabeça em outros projetos que me ajudaram a conhecer outras pessoas e ter mais reconhecimento profissional. Como diz aquele ditado: um pé na bunda te toca pra frente", completa.


Paulo Sergio Estevam não entende essa obsessão por trabalho como uma fuga de sentimentos. "Poderia ser uma forma de tentar manter a mesma sensação de prazer, de bem-estar que tinha quando estava ainda vivendo a relação amorosa, bem como evitar o desconforto que a privação desses reforços pode causar", explica. "Mesmo trabalhando e se distraindo, acabamos sofrendo um pouco. Com o trabalho a tortura maior é evitada. Acho que lições a gente sempre aprende, mesmo tentando fugir dessa emoção!", diz Alice Pellizzoni Lima, secretária, 25 anos.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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