Quando o ódio ao universo feminino vira doença

Misoginia

O termo internacional dos Direitos da Mulher, promulgado pelas Organizações das Nações Unidas - ONU - se refere à liberdade de todas as mulheres do mundo. Mas muitos desses direitos são ignorados por costumes de certas sociedades machistas. E pior, podem evoluir para um tipo de violência conhecida como misoginia.

Ainda bastante presente na atualidade, a misoginia não é uma invenção moderna e aparece desde os primórdios das sociedades. A ação corresponde à aversão ou desprezo dos homens a tudo que diz respeito ao universo feminino, mas mais violenta que o machismo.

“O machismo é uma atitude que não aceita a igualdade entre mulheres e homens e defende a supremacia do homem, mas não necessariamente se reverte num comportamento misógino”, explica Lenise Santana Borges, doutora em psicologia.

Muitos pensadores e personagens ilustres da história alimentaram livros e escrituras com ideias misóginas. Aristóteles, Pitágoras, Martinho Lutero e Leon Tolstói são alguns dos grandes nomes que consideravam a mulher com um ser naturalmente inferior.

“A misoginia pode se manifestar de diversas formas, desde atos que desqualifiquem aquilo que for do universo feminino até atitudes mais violentas e hostis, como ódio e repulsa às mulheres”, comenta a psicóloga. Muito desses mitos ainda aparecem em sociedades fundamentalistas e em vários outros ambientes menos radicais, como o Brasil, por exemplo.

Os homens misóginos podem se apresentar de diferentes maneiras. Os mais comuns são os que expressam seu ódio por meio de maus tratos físicos ou psicológicos e apresentam características narcisistas ou sádicas. O complicado é que normalmente são conquistadores e galantes e, por isso, quando mostram as agressões, as mulheres custam a acreditar.

Um histórico de rejeição e abandono ou de uma relação conturbada dos pais pode criar um filho misógino e pode ser que ele tenha aprendido em casa que a única forma de controlar uma mulher é oprimindo-a. Qualquer que seja a história, o homem misógino é no fundo muito inseguro e traz consigo uma dor infantil que não soube lidar de forma correta.

“São homens que têm dificuldade de estabelecer vínculos afetivos e amorosos com mulheres, e que ao longo da vida, ao se depararem com situações de frustração nas quais eles não são os eleitos amorosos, projetam nas mulheres seus sentimentos de inadequação”, discorre Lenise.

O livro “Homens que odeiam suas mulheres e mulheres que os amam”, de Susan Forward e Joan Torres, da editora Rocco, lista três opções para uma mulher que vivem um relacionamento desse tipo: manter-se submissa para preservar a relação, pedir a separação ou então construir uma nova relação com o mesmo homem.


As que resolverem escolher a terceira opção terão um longo trabalho de resgate pela frente. Encontrar novamente a autoestima, assumir seu lugar na relação e estabelecer limites claros para o parceiro são os primeiros passos. Provavelmente, ambos precisarão de suporte terapêutico para atingir os objetivos em busca da felicidade.

Seja como for, dificilmente o homem misógino reconhece seu problema e aceita a terapia. Quando concorda em fazê-la, logo interrompe o processo. Para conseguir chegar ao fim, deve admitir que é autor dos problemas da relação e no fundo, apenas um homem sedento de amor.

Por Talita Boros (MBPress)

Comente