Quando o Amor Acaba

Sabe aquele relacionamento que já dura anos, mas que não tem mais a mesma magia e encanto do começo, mas que você ainda se prende a ele? Qual é a explicação para este seu comodismo? Quais as inúmeras desculpas que mascaram a ausência de companheirismo e de afinidade entre vocês?

Quando o relacionamento está em crise a vida a dois se resume a tristeza, descaso e cobrança...

COBRANÇA por incrível que pareça. Veja, vocês dois são capaz de passarem horas sentados, um ao lado do outro, sem trocarem uma palavra, mas se você ou ele der uma saidinha... logo o outro vai achar algo pra reclamar, como: "...você não liga mais pra ele", ou vai dizer que o outro não fez algo ou que fez algo que sabe que ele não gosta.

Para tirar a carteira de motorista, a pessoa tem de saber dirigir mas basta uma assinatura para obter a certidão de casamento... As "barberagens", os acidentes são quase inevitáveis e cada vez fica mais difícil conhecer alguém que esteja “pronto” para amar, assumir responsabilidades, superar dificuldades, compartilhar alegrias e tristezas. Comigo aconteceu assim...

O primeiro "amor da minha vida" foi amor a primeira vista, algo arrebatador. Não moravamos na mesma cidade e isso tornava os encontros praticamente impossíveis... eu tinha catorze anos, e meus pais não permitiam namoro com quem quer que fosse. Então, tentamos um namoro escondido, e a "história" começou, muita troca de olhares, dar as mãos, cartas...(e nada mais).

Um belo dia, houve um desencontro sem tamanho, ele achou que eu estava namorando outra pessoa, um amigo que sentou-se ao meu lado na igreja, ele levantou-se e foi embora e nunca mais nos falamos. Tive que esquecê-lo, e não foi fácil. Foram algumas noites escrevendo no meu diário as lágrimas e os porquês daqueles dias, mas passou...

Aos quinze anos conheci o segundo “amor da minha vida”. Aconteceu o primeiro beijo, e foi incrível! Passei uma semana com a sensação de estar nas nuvens... e novamente pensei ter conhecido alguem com quem teria filhos e passaria minha vida toda. Então a minha família descobriu e tudo teve que acabar. Ele viajou (só o reencontrei anos depois). A família dele gostava muito de mim e me dizia pra esperá-lo que ele ia voltar pra se casar comigo...mas no desencontramos: ele voltou e eu mudei para outro estado.

Aos dezesseis anos conheci o terceiro “amor da minha vida”. O relacionamento de um pouco mais de um ano já estava desgastado quando engravidei. Terminei o namoro e não queria mais nem olhar na cara dele... mas, alguem me convenceu que era normal a grávida enjoar da cara do marido, então me casei. Foram oito anos de muitas lágrimas e decepções. Até que não deu mais... Foi frustrante, me sentia incapaz. Agora era eu e três filhos pequenos. Era hora de recomeçar!

Aos 26 anos conheci o "quarto amor da minha vida" Minha família era contra um novo relacionamento, mas eu teimei, namorei e me casei. Passamos à morar juntos, pouco sabiamos um do outro, Tudo era novidade. Nossas diferenças parecia nos unir. Tudo era tolerado e até mesmo engraçado. Então, a rotina veio nos assombrar, e nossas diferenças se tornaram gritantes; e a decepção logo se tornou inevitável.

Aos 37 anos, depois de brigar anos com meus maiores pesadelos (mais um relacionamento falido): A-C-O-R-D-E-I. Acordei ao lado de alguem a quem não amava mais. O que fazer?! Tive que ser a vilã, e colocar um ponto final nesta história que estava com uma carga de drama, tristeza, decepção, sentimento de fracasso e solidão.

Ao que diz a palavra final resta o ônus da culpa (que não é culpa, é coragem). Ao que ouve o veredicto cabe o ônus da derrota (que não é derrota, é desistência).

A gente diz que o amor “acabou” quando já sabe que vivo ele não estava. A esperança de ressuscitar algo nos faz protelar, disfarçar, dar "tempo ao tempo"... Ser capaz de assumir que a história de amor não teve um final feliz é uma das provas mais duras...

Nove meses depois da separação achei que podia dar uma chance pra mim e recomecei ao lado do meu "quarto amor", disposta a fazer meu possível e o impossível pra dar certo, por nós dois. Afinal, amar se aprende, não é mesmo?!

Pouco tempo depois, vi que mais uma vez tinha errado. O amor não nascia. Simplesmente foi semeado num solo rochoso e não criou raízes, murchou-se... e morreu à luz do dia. O que fazer?! Tentei, disfarcei, fantasiei, menti, me enganei... e não deu. Eu tinha que jogar limpo: a relação havia acabado.

Não é algo fácil reconhecer que o poderoso sentimento provocado pela outra pessoa acabou. Descobri que o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença, um sentimento fatal, a gota d'agua pra quem se sente preso a um casamento sem amor.

O amor não é algo automático e programável. Não adiantar pedir pra não acabar. Um dia simplesmente acaba, e sem aviso prévio, como um Tsunami interno difícil de prever, e quase impossível de evitar. E temos que nos esforçar para sentir um quarto do que sentiamos antes...

A falta de desejo é determinante na hora de saber o que verdadeiramente se sente pelo outro.

Nenhum amor acaba de uma hora para outra, mas nem sempre percebemos os sintomas, que nos avisam e gritam que algo está errado. Então, num belo dia, nosso mundo todo desaba. Quando o amor acaba, acaba o assunto, não há mais o que falar com o outro. Ou seja, se acontecem coisas novas durante o seu dia, você não sente a menor vontade de contar para o seu parceiro. É como se o outro não fizesse mais parte de sua vida. A primeira reação é de desespero, de ausência de sentido. E nada, absolutamente nada, parece aliviar esta sensação de fracasso.

Passamos a achar que o erro está em nós. Que poderíamos ter feito mais. Que não somos bons o suficiente, ou ainda, que não merecemos ser amados. Esta é a coisa mais injusta que fazemos com nós mesmos. Mas, faz parte do processo. E PASSA! ACREDITE NISSO! A decepção começa a pesar, e o vazio dentro de nós nos avisa que precisamos tomar uma atitude. Precisamos recomeçar por alguma ponta.

Erros? Não houve erros. Faltou foi sintonia. Não era para ser. Por mais amor que doássemos, não foi para a pessoa certa. Esta pessoa era muito diferente do modelo de amor, que trazíamos escrito em nossa memória. Afinal de contas, nem era tanto amor assim. Nem da nossa parte.

Que tal voltar a viver com o mesmo briho nos olhos que tinha antes? Pra começar que tal desocupar o espaço, que está sendo preenchido por alguém que não te interessa mais? Quando o amor acaba, deixamos de ser quem nos acostumamos a ser e voltamos a ser o que éramos de verdade.

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