Quando a amizade vira amor

Quando a amizade vira amor

Lia e Cadu. Foto: divulgação/ Globo.

Quem acompanha o Big Brother Brasil 10, viu a amizade entre os participantes Lia e Cadu passar por uma transformação. A dançarina demonstrou ciúmes exagerado do amigo, especialmente com Fernanda e até já disse que ama o carioca, mas só como amigo. Apesar do adendo, a opinião de que ela está na verdade apaixonada por ele, é quase unânime entre quem assiste o programa. E Cadu, apesar de ter sido muito assediado por várias participantes, tem um amor aqui fora e diz que vai se manter fiel.

A situação vivida por Lia é bastante comum também na vida real. Lívia*, de 22 anos, passou pela mesma situação. Ela conheceu Alexandre* quando tinha apenas oito anos, na escola. Com o passar dos anos e com a convivência, o sentimento foi crescendo e mudando. "Nos tornamos muito amigos e em um determinado momento, que eu nem sei dizer qual foi, acho que quando eu tinha mais ou menos uns 14 anos, notei que sentia ciúmes dele e que a minha relação com ele era diferente da que tinha com outros amigos meninos", conta.

Lívia* passou anos querendo falar a verdade para o amigo, mas não tinha coragem de contar o que sentia. "Eu sentia que ele gostava de mim, mas ficava na dúvida se era carinho de amigo ou algo mais". Ela só resolveu abrir o jogo quando tinha 19 anos. "Foi muito difícil contar e o pior, quando eu falei ele foi super legal comigo, mas disse que não sentia a mesma coisa por mim, que era só amizade mesmo"

Lívia* conta que ficou arrasada e o fato de ter contado deu uma balançada na amizade, já que Alexandre ficou se sentindo desconfortável com aquela situação no primeiro momento. "Mas isso foi só no começo, com o tempo as coisas melhoraram, mas sofri muito". Hoje, ela conta que está em outra e ele também, mas a amizade continuou e hoje está ainda mais forte, afinal os dois tem somente o interesse da amizade.

A história do casal de amigos teve um final feliz, provavelmente porque Lívia* teve a coragem de abrir o jogo. O psicólogo especialista em Sexualidade Humana, Paulo G. P. Tessarioli, acredita que o diálogo é sempre o melhor caminho. "Penso que se há amizade de verdade, há também espaço para uma conversa franca e sincera".

Ele explica que a amizade é uma das expressões do amor e até por isso muitas relações amorosas tiveram seu início marcado por uma forte amizade. Mas diz também que as pessoas, de um modo geral, não sabem lidar com o afeto que tem pelos outros, por isso há confusão. "A nossa sociedade tem problemas com o afeto e suas demonstrações. Existe a máxima de que não existe amizade entre homem e mulher, o que é puro preconceito e falta de tato com o afeto"

Tessarioli destaca que o resultado disso, é um descompasso entre os desejos, ou até mesmo um receio em ceder ou corresponder à paixão de um amigo. Por isso as ‘confusões’ são tão comuns.


E se o seu problema é um amigo ciumento, ele explica que é normal sentir ciúme, mas para tudo tem um limite e o limite é quando começa a perturbar a harmonia da amizade. "Amizade e até mesmo uma relação amorosa agregam valor à vida. Quando o que está acontecendo é o oposto, é hora de rever certos conceitos". Fica a dica para a Lia, não é mesmo?

*nomes fictícios

Por Larissa Alvarez

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