Esposa troféu: não caia nessa armadinha!

Será que o conceito de 'esposa ideal' vale a preocupação?
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Cerca de 50 anos atrás, a esposa ideal era aquela dedicada aos filhos e marido, submissa e sem opinião própria. Há 20 anos, esse tipo de mulher passou a ser repudiado; a mulher ganhou o mercado de trabalho, passou a ter renda própria e autonomia para tomar suas próprias decisões independentemente do casamento.

E desde então, esse cenário vem evoluindo. As mulheres, muitas vezes, chegam a ocupar cargos masculinos e ter salários mais altos que seus maridos. 

Mas e aquela função de cuidar de casa e dos filhos, quem faz agora? Ainda é a mulher, ou seja, cabe a ela desempenhar várias funções. E é nessa hora que começam as controvérsias. No filme “Loucas Para Casar”, que estreou nos cinemas brasileiros em janeiro deste ano, a protagonista Malu, vivida por Ingrid Guimarães, entra em colapso nervoso justamente por tentar ser a mulher considerada perfeita. 

E na pele dela, existem muitas! Segundo Eliana de Barros Santos, psicóloga clínica e diretora do Colégio Global, em São Paulo, histórias estereotipadas ajudaram a construir o modelo da mulher exemplar e muitas caem na armadilha de tentar viver o modelo proposto como mulher exemplar.

Por isso, hoje vemos um quadro diferente, mas que não pode ser considerado regressivo; muitas mulheres estudam e mesmo depois de formadas, optam por serem donas de casa. “A mulher está evoluindo e se desvencilhando do estereótipo. Porém, há uma carga muito forte e ainda é difícil para muitas viver de acordo com suas necessidades e evitar a busca do modelo de mulher exemplar”, explica a psicóloga. Pode parecer saudável para o marido, família e etc., em um primeiro momento, mas em longo prazo, os efeitos negativos devem surgir e a maior prejudicada é a própria mulher.

E veja só isso! Em uma pesquisa recente, realizada, na Inglaterra (país bastante desenvolvido, certo?), 62% das mulheres entrevistadas que trabalham integralmente disseram que têm vontade de abrir mão da carreira em prol de uma vida mais relaxada, se dedicando mais aos filhos, casa e marido. E mais: das 1,582 entrevistadas, 74% confessou que não mudam de vida por que se sentem pressionadas pelas outras mulheres e pelo feminismo para serem independentes.

“Para conseguir preencher os requisitos da mulher exemplar, ela precisa, em muitas situações, abrir mão dos seus desejos e viver em função do desejo do outro (marido, filho, pais e etc). Isto implica em uma sobrecarga emocional forte e a frustração é um sentimento muitas vezes experimentado”, ressalta a psicóloga . 

Por isso, muitas mulheres que vivenciam esse choque optam por levar apenas uma das vidas, exercendo apenas o papel de mãe e dona de casa, assim como eram nossas avós. Você acha que isso é dar um passo para trás da nossa evolução?

Por Helena Dias


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