Psicólogo afirma que vingança virou uma epidemia

Vingança contra o ex

A dor de uma vingança é difícil de suportar. E para tentar superar este trauma, algumas mulheres não deixam barato e pagam na mesma moeda. Na ficção isso é muito comum. Quem não se lembra de Betina (Letícia Spiller), em "Viver a Vida", dando um beijão em Carlos (Carlos Casagrande), bem na frente do marido Gustavo (Marcello Airoldi), após descobrir que ele tinha um caso com Malu (Camila Morgado), prima de Betina?

Para o psicólogo Antônio Carlos Alves de Araujo, o homem trai por prazer sexual, enquanto a mulher trai por vingança, carência ou por descontentamento total. Ou seja, é um ato doloso ou pedido de socorro. "Quando a mulher paga na mesma moeda, ela se liberta, fica feliz. Já o homem que encara o fato como vingança fica arrasado", diz.

Além da traição, uma forma muito comum de vingança é por meio de abandono inesperado. "Um exemplo é quando o casal vive junto há 30 anos e o homem só tem olhos para o trabalho. Não liga para os anseios da mulher, não a convida para um cinema ou fazer uma viagem. Ele acha que está tudo bem até que a esposa decide pedir a separação", comenta o psicólogo.

"Neste momento começa o que eu chamo de suicídio da relação: o homem começa a mandar flores e presentes e até compra um carro novo, piorando ainda mais a situação. A mulher odeia isso, porque são atitudes muito tardias", afirma Dr. Antônio.

O especialista acha que é difícil definir qual dos sexos costuma se vingar mais, porém, é fato que esta atitude atinge e muito o homem, por conta da nossa sociedade machista, que acha natural o macho trair.

De qualquer forma, ele garante que uma vingança gera traumas que levam anos para serem superados. "O melhor mesmo seria uma conversa entre as partes. Sem contar que a pessoa que cometeu o ato pode se arrepender e querer voltar atrás. Mas não tem mais jeito", comenta.


O psicólogo atenta para o fato de que a vingança ter se tornado uma epidemia. "Isso não tem nada a ver com a política de independência da mulher, mas os relacionamentos, frutos deste novo esquema econômico, estão cada vez mais frágeis, construídos com telhados de vidro", diz. "Antes era obrigação o casal ficar junto pelo resto da vida, mas no ano passado tivemos um recorde de divórcios. Alguma coisa está errada e acho que a justiça deveria catalogar a razão desses divórcios. Isso é muito sério", revela.

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: relacionamento acabar relacionamento