Positivas

Ana Paula, Silvinha, Cida, Rosária, Maria, Heli e Michelle. Nomes de mulheres comuns que enfrentaram um drama bem mais comum do que podemos imaginar: elas contraíram HIV de seus maridos. Ao contrário da maioria dos portadores do vírus, elas resolveram se mostrar com o objetivo de dar um alerta.

As sete participaram em um documentário chamado "Positivas", que será lançado no dia 30 de novembro, no Espaço de Cinema Botafogo, no Rio de Janeiro, véspera do Dia Mundial de Combate à Aids.

Hoje, no Brasil, 64% das mulheres com o vírus HIV contraíram a doença de seus parceiros fixos, estavam em relacionamentos estáveis. Como estavam casadas há anos (Heli, umas das personagens, era casada a 31 anos), nem pensavam em negociar o uso do preservativo nas relações sexuais. E aí está a importância de dar o alerta, afinal as personagens não passam nem perto dos chamados "grupo se risco". O que elas não sabiam é que o grupo de risco estava ao seu lado, seus maridos que eram heterossexuais infiéis, homossexuais ou usuários de drogas injetáveis.

Elas colaboram com o documentário porque apesar de também enfrentaram o preconceito e os problemas que a doença traz, não admitiram ficar paradas. Resolveram militar por todas as outras milhares de mulheres expostas aos riscos.

O trailer do documentário já é de arrepiar, então já é possível ter um idéia de como será o longa. Em entrevista ao blog Mulher 7x7, a diretora do documentário Susanna Lira explicou que o filme é duro e isso é proposital.


"É necessário, e precisa ser visto por nós mulheres e nossos companheiros homens. Acho que é uma chance para a gente tocar naqueles assuntos delicadíssimos, mas que não podem ser deixados para depois, porque pode ser tarde demais... Tenho total consciência do mal-estar que esse filme possa vir a causar, porque o casamento ainda é um tipo de relação em que nos sentimos seguras e protegidas. Não quero parecer uma menina má que vai estragar a alegria alheia, mas o que fazer com as estatísticas? As pesquisas? Esses 64% de mulheres que têm HIV não são apenas números numa planilha. São o resultado de um padrão de comportamento cristalizado em nosso cotidiano: mulheres em relacionamentos estáveis não costumam usar camisinha. A feminização da AIDS é uma realidade que precisamos encarar de frente. Só com o debate aberto sobre a desigualdade de gênero é que podemos entender a expansão desse fenômeno."

Por Larissa Alvarez

Comente