Por que os homens mentem?

Contar uma mentirinha ou inventar uma história fictícia faz parte da vida de boa parte da população
Por que os homens mentem

Foto: moodboard/Corbis

Que atire a primeira pedra a mulher que nunca descobriu uma mentira do parceiro. Seja aquela olhada descarada que o companheiro deu para outra mulher ou até mesmo fingir estar prestando atenção na conversa, quando na verdade não está.

Por outro lado, muitas mulheres enxergam coisas que não existem e acabam irritando os homens. A dica é ver se realmente essa "dedução" está certa antes de começar uma briga sem fundamentos.


O famoso escritor Luis Fernando Veríssimo já afirmava no livro "As mentiras que os homens contam": "Na verdade, quando mentem é porque precisam. Para proteger o outro - e de preferência, a outra. Foi assim com a mãe, a namorada, a mulher, a sogra. Questão de sobrevivência. Tudo pelo bom convívio social. Os homens só mentem, no fundo, para poupar as pessoas, e, sobretudo, para o bem das mulheres."

O editor-executivo e cronista da Revista Época, Ivan Martins, acredita que tanto os homens quanto as mulheres mentem, pois, afinal, mentir é humano. "Mentimos para satisfazer os nossos desejos, para não magoar as pessoas, para evitar punições e retaliações (que viram sofrimento), para obter algo que talvez não conseguíssemos sem a mentira: sexo, afeto, admiração...", diz.

E acrescenta: "Mulheres e homens mentem também porque a sociedade em que vivemos tem pressupostos morais que contrariam os nossos anseios mais profundos. Então, como somos fracos, mentimos para não parecermos devassos ou tarados ou egoístas. Mentimos, enfim, porque estamos vivos. Mortos não mentem."

Os homens, assim como as mulheres, costumam prestar atenção às pessoas em volta, o comportamento, a conversa, os sinais etc. Ivan afirma que a mentira pode ser, na maioria dos casos, irresistível: "Somos mestres naturais na arte de decifrar os sinais faciais e corporais de quem nos cerca, e nos comportar de acordo com isso. Logo, mentir para uma pessoa que está ansiosa para ser enganada talvez seja algo quase irresistível. É preciso ter muito caráter para contrariar os próprios desejos e os desejos da outra pessoa, dizendo coisas que tornem o relacionamento ou o sexo impossíveis."

Contar uma mentirinha ou inventar uma história fictícia faz parte da vida de boa parte da população. Porém existem pessoas que reagem de maneiras diferentes ao contar e ouvir uma mentira: "Cada um de nós tem um jeito de sinalizar o desconforto da mentira. Tem gente que não consegue olhar nos olhos. Tem gente que fica agressiva, por se sentir acuada pela culpa. Tem gente que fica vermelha ou gagueja", conta Ivan.

Os homens possuem uma visão de realidade muito diferente das mulheres. O cronista acredita que isso pode ser por causa da base biológica. "É certo que em muitas ocasiões - quando se trata de lidar com as emoções, por exemplo - as mulheres agem de forma diferente dos homens. Quem convive de perto com as mulheres em casa ou no trabalho percebe essa diferença."

O editor-executivo acredita também que devemos viver da forma mais verdadeira possível, desde que isso não nos desumanize. "Alguém que insista em dizer a verdade em todas as situações, independente do contexto ou dos sentimentos dos outros, está se portando como um autômato moral, não como gente", afirma.

E conclui: "A nossa vida social tem sutilezas que às vezes exigem uma mentira. Dito isso, devemos enorme respeito às pessoas que nos cercam e, sobretudo, às pessoas que nos amam. Mais importante do que não mentir é não expor, não magoar, não ferir os sentimentos do outro. Acho isso perfeitamente e humanamente possível."

Por Thaís Santos (MBPress)

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