Poeta exalta as mulheres perdigueiras

Poeta exalta as mulheres perdigueiras

A mulher assumidamente ciumenta é capaz de afastar ou de atrair o sexo masculino. Tudo depende de como ela aplica esse ciúmes e do tipo de relacionamento (e de amor) que o homem procura. E para homenagear as parceiras assumidamente possessivas e que seguram suas caras-metades "pelos dois pés", o poeta Fabrício Carpinejar escreveu o livro de crônicas "Mulher perdigueira".

Lançado pela editora Bertrand Brasil, a obra faz alusão ao cão perdigueiro, originalmente empregado na caça. "Esse tipo de mulher costuma ser passional e intensa. Repara em tudo, gosta da dependência. E entende, de certa forma, que o amor é sinônimo de doação e não de empréstimo", explica Carpinejar. "Ela é imprevisível e costuma provocar a imaginação do sexo oposto", completa.

Fabrício lamenta que os homens enxerguem o ciúme como um sentimento ruim dentro de uma relação, uma vez que ele é fundamental para a vida a dois e provoca efeitos colaterais positivos, como cumplicidade, lealdade, amizade e sensualidade. "Pior seria a indiferença, o desamor. É muito triste ver casais que moram na mesma casa e, quando se cruzam no corredor, não se dão um abraço, não perguntam o que o outro está pensando", diz. Mas ressalta: "O ciúme precisa ser dito e aplicado no momento certo. A mulher barraqueira, por exemplo, expõe o que ela sente em uma determinada situação".

Na concepção de Carpinejar, amar dá trabalho. E nem todas as pessoas estão dispostas a se doar para ele. "Por que os homens fogem de mulheres ciumentas e grudentas, que mandam torpedos a toda hora? Porque eles terão que fazer o mesmo, terão que trabalhar para a relação. E muitas vezes eles não querem corresponder às expectativas da mulher. Querem independência. E independência numa relação é pura preguiça", alerta.

Uma coisa é certa: todo mundo sente ciúme. A questão é que poucos o assumem como seu e encontram uma maneira de colocar a culpa no outro. Dizem que o outro provoca ciúmes, como se fosse um sentimento que viesse de fora. "Esta é uma saída que muitos parceiros adotam para justificar sentimentos ruins como insegurança e medo de ser abandonado."

O poeta garante que quando a mulher sabe dominar o ciúme com maestria consegue praticar o dom da intuição. Torna-se detalhista e capaz de saber que o homem vai traí-la antes mesmo de ele cometer o ato. Já o homem só vê a situação de maneira macro e descobre a infidelidade da parceira quando ela termina a relação. "O sexo feminino é capaz de detectar qualquer mudança de comportamento. A minha namorada, por exemplo, sabe como estou pelo jeito que eu amarro o cadarço", revela.

Sinônimo de zelo numa relação, o ciúme ainda auxilia a mulher a perceber quando uma rival está tentando se aproximar do seu homem. E quando ela questiona seu parceiro, ele começa a fazer joguinho e não responde corretamente. Isso mostra claramente que o homem não sabe lidar com o ciúme da cara-metade, contribuindo para tornar esse sentimento um joio na relação. "O homem se envaidece por saber que alguém sente ciúmes dele, se sente importante e faz com que a parceira se sinta péssima por conta do próprio ciúme", comenta Fabrício.

Por outro lado, quando o homem é ciumento, e sabe como dosar este sentimento, mostra-se cada vez mais sedutor e provoca outro tipo de ciúme nas demais mulheres. "O melhor homem é o fiel, aquele zela, que cuida da parceira. E a mulher que vê a situação de fora acaba sentindo certa inveja não do homem, mas da vida da mulher que vivi ao lado dele", esclarece Carpinejar.


Buscando informações no dia a dia, no trabalho como poeta e nas relações atuais para desenvolver suas crônicas, Fabrício chegou à conclusão de que, antes de tudo, é preciso que as pessoas mudem suas posturas diante do relacionamento. Perceber que o casamento é uma responsabilidade. "O ciúme dosado faz bem a todo mundo. A pior coisa é a precipitação. A saída é se abrir com o parceiro, dizer o que sente. Desse modo você exerce a confiança e ajuda o outro a lhe conhecer a lhe entender melhor", aconselha.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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