Pé na bunda via rede é tema do #youpix festival

Pé na bunda via internet

Foto: Reprodução alesie.com.br

Não há como negar que com o advento das redes sociais e chats de bate-papo ficou muito mais fácil encontrar alguém para se relacionar. Começar um flerte pela internet é de praxe, seja com um desconhecido ou com aquele amigo do tempo de colégio. Mas, e quando o fim do namoro se dá por meio do Twitter, MSN, Orkut ou Facebook?

Lele Siedschlag, editora de Humor do portal R7, apresentadora do Ex-Tricô e autora de "Te Dou um Dado", comanda hoje, às 16h, uma palestra sobre o assunto no Youpix Festival. A própria Lele afirmou que o evento será uma verdadeira terapia de casais, batizada de Terapia 2.0. Enrique Jimenez, que foi abandonado pelo Facebook; May Siqueira, que descobriu pelo Orkut que estava solteira e o casal Jaqueline Barbosa e Emerson Viegas (O "Casal sem Vergonha"), estarão presentes no evento.

A técnica de Hardware Joyce Oliveira, 23 anos, revelou que o ex-namorado usou a internet para por fim à relação, em 2008. "Ele foi me ver no sábado, véspera do término, foi tudo normal, ele inclusive pediu um livro meu emprestado. Quando fui levá-lo à porta, ele me beijou, abraçou, e disse que tinha um assunto importante para conversar comigo, para eu entrar no MSN depois", relata Joyce. "Aí segunda-feira à noite eu entrei no MSN e ele disse que não dava mais, que ele queria terminar", completa.

O rapaz de 20 anos, parecia estar realmente mal intencionado. "Ah, o meu livro ele não queria devolver. Fez de caso pensado. Eu liguei várias vezes cobrando, ele mandava dizer que não estava em casa. Precisou meu pai ir a casa dele buscar. E ele esfaqueou a capa do livro todinha, devolveu cheia de furinhos", lamenta Joyce. O casal namorava há um ano e meio.

Lele Siedschlag afirma que essa atitude tem muito a ver com a idade da pessoa. "Isso geralmente é coisa de gente mais nova, a molecada tem dessas coisas", diz.

Juliana Medeiros, jornalista de 26 anos, não esconde que rompeu um relacionamento por e-mail. "Meu namoro durou cinco meses e chegou ao fim em junho de 2008, dias antes do Dia dos Namorados", diz. "Esse namoro foi bem conturbado, pois ele era uma pessoa bem difícil de ‘se deixar’ encontrar por telefone. Ele tinha celular e rádio, mas só conseguia falar com ele quando ele ‘se permitia’ encontrar", completa.

Cansada das atitudes do rapaz, de tanto a família e amigos alertarem, a jornalista decidiu tomar uma atitude. "De repente, a ficha caiu completamente e resolvi terminar. Tentei ligar no celular e no rádio, mas como de costume, ele não atendeu. Não iria deixar a minha resolução em segundo plano só porque não estava conseguindo falar com ele. Não hesitei em mandar um e-mail terminando tudo", revela Juliana.

Terminar por e-mail é mais comum

Um estudo britânico, realizado em 2009, ouviu 2.000 pessoas e revelou que a maioria delas já terminou um relacionamento pela internet. Entre os entrevistados, 34% afirmaram que usaram o e-mail para dar a triste notícia ao parceiro, 13% simplesmente mudaram o status no Facebook antes de conversar com o companheiro, 6% dispararam a novidade no Twitter, 2% optaram por mensagem de texto pelo celular e 8% comunicaram por telefone. Apenas 38% dos entrevistados encararam o parceiro na hora do fim.


Os especialistas acreditam que esse comportamento aponta para o caráter "descartável" que as relações humanas vêm tomando. Toda a vida, principalmente dos jovens, está muito mais exposta se comparada às gerações passadas. Alterar o status do Facebook e ver as pessoas comentarem e até "curtirem" é comum. Os sentimentos, embora mais superficiais, são compartilhados.

Por Bianca de Souza (MBPress)

Comente