Os opostos realmente se atraem?

Será que os opostos realmente se atraem

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"Os opostos se atraem", é uma daquelas frases que foram tão repetidas pelas pessoas à nossa volta, que acabamos acreditando. A questão é pensar que tipo de diferenças são essas e até que ponto elas tornam esse relacionamento atrativo.

A psicóloga e psicanalista Aline Accioly Sieiro faz ainda uma outra pergunta importante: "Será que o que nos atrai ao outro é algo que ele tem ou não tem? Podemos pensar no amor como um desejo de completude: o outro possui algo que eu não tenho e poderia me completar. Juntos seremos inteiros, completos, metades de uma mesma coisa".

Se pensarmos nessa reflexão, não seriam os opostos e sim os iguais se atraem, justamente por buscarem as mesmas coisas, ou enxergarem em si as mesmas carências. É claro, que não escolhemos quem amamos, pelo menos, não racionalmente.

Ou então, podemos ir mais longe, ninguém é exatamente aquilo que idealizamos, sempre teremos algum meandro que nos posicione em opiniões opostas à do outro. Aceitar isso pode tornar, de quebra, tudo mais prazeroso. A psicanalista explica melhor esse mecanismo. "Esse encaixe perfeito parece que nunca dá muito certo, podemos pensar também em um amor que une pelo que falta: eu não tenho algo e você também não. Quando percebemos que somos os dois incompletos em busca de algo, o que nos une é exatamente o que nos falta".

"Talvez o interessante seja sair dessa dicotomia para pensar na atração e no amor como a possibilidade de uma invenção a dois. Homens e mulheres, iguais ou diferentes, inventam. Então a única certeza que podemos ter é a da invenção", conclui Aline. O que une duas pessoas é justamente a imprevisibilidade do amor, da vida e das situações que ela nos reserva, em forma de surpresas e presentes.

Por Giseli Miliozi

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