Os contras de namorar o "filhinho de mamãe"

Os contras de namorar o filhinho de mamãe

Quanto mais a mulher amadurece intelectualmente e profissionalmente, mais exigente ela fica. Dependendo da situação, homens sem perspectiva de vida, que não arranjam emprego ou que não pensam em ter filhos são riscados da lista de pretendentes. Outro tipo de pretendente que tem perdido espaço na listas das mulheres é aquele que ainda mora com a mãe. Ele até pode ter um emprego bacana, um carro e dinheiro, mas se não tem independência, vira carta fora do baralho.

Para o terapeuta Sérgio Savian, as coisas não precisam ser levadas a ferro e fogo, pois nem sempre o homem que mora com amãe não está disposto a levar a vida a sério. "Muitas vezes ele se dedica à carreira, compra imóveis, e dentro desses limites, parece ter certo amadurecimento", pensa.

Mas pondera: no quesito autocuidado, a impressão que se tem é de que o homem não cresceu. "Ele continua sendo e quer ser tratado como adolescente, mesmo na vida adulta. Roupa lavada e passada, comida à mesa, um teto para morar, tudo isto custa muito. O homem se acomoda com essa mordomia e não vê necessidade de tomar seu próprio rumo. É óbvio que alguém assim é filhinho da mamãe, mesmo que não admita."

O risco de se relacionar com um homem assim está no fato de ele exigir da mulher o mesmo tratamento que recebia da mãe. "Como ele não reconhece sua dependência e acha normal viver como adolescente, tenderá a projetar em sua mulher a função materna. E como é proibido o filho sentir-se atraído pela mãe, e vice-versa, a tendência é que este relacionamento se distancie do sexo", afirma Sérgio.

Quem pretende assumir um relacionamento com um "filhinho de mamãe", pode esquecer os jantares românticos (a menos que seja na casa da mulher) e do "rala e rola" em casa. "Sexo no motel nem sempre é dos melhores, principalmente quando se trata de um namoro. Lá o casal fica restrito à intimidade sexual e não gera convivência", pensa o terapeuta. "Não estou dizendo que o casamento seja a melhor condição para desenvolver um romance, mas, no mínimo, adultos devem ter vida própria, seu lugar e desenvolver a capacidade de tomar conta de si", completa.

Outro homem que pode ser complicado é aquele que sustenta os pais ou irmãos. Na opinião de Savian, estes pretendentes se complicam ao tentar formar suas próprias famílias, pois emocionalmente já estão ocupados, não abrindo espaço para uma nova possibilidade.

Sérgio não generaliza quando o assunto é a mãe do rapaz. Esta história de que a sogra vai sempre se meter no namoro é muito relativo. "Existem mães que se dedicam a tomar conta dos filhos, estas talvez relutem em deixá-lo ir para as mãos de uma mulher", diz.

Porém, há mães que até motivam seus filhos a criarem asas. O problema é que muitas vezes eles não querem. "Este é um fenômeno que vêm crescendo nas últimas décadas. São jovens que não entendem por quais motivos devem abandonar a mordomia que têm como filhos e, por isso, não crescem, vivendo sempre ‘debaixo da saia da mãe’, reclama.


O terapeuta defende ainda que um relacionamento amoroso de qualidade precisa de pessoas que se cuidem individualmente e que saibam o princípio da generosidade. "Você só será generoso quando deixar de ser um receptor para ser um doador. Quem se encontra na situação de receber - e esta é a condição de quem vive na casa da família - ainda não está preparado para uma relação madura", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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