O vício da paixão

O vício da paixão

Você mal curte a fossa de uma decepção amorosa e logo se engata em outro romance? Tem essa fixação por estar sempre com o coração acelerado, sempre suspirando, sempre apaixonada? Às vezes, a relação esfria um pouquinho e você já quer pular fora, buscar outra fonte de arrepios e borboletas no estômago? Nesse caso, querida, você é mais apaixonada pelo amor do que pelo amado em si...

"Na paixão, a pessoa sente-se atraída por outro que pode tornar a vida completa. Diz-se que a paixão não conhece a razão. Ela cria outra realidade, que pode se tornar tão real como qualquer outra. Na paixão, não amamos o outro por suas virtudes ou valores, mas o valor de alguém é dado porque o amamos", conta a psicóloga e psicoterapeuta Maria Luiza Piszezman.

Isso de querer estar sempre apaixonada é claro, tem explicação. O psicólogo Paulo G. P. Tessarioli lembra que a paixão é sim visceral e que sensações como frio na barriga, pouco sono, pouca fome e suspiros constantes, envolvem as pessoas de tal forma que o mundo, num sentido bem figurado, para!

"Por ser de natureza visceral, geralmente a paixão vicia! Existem pessoas viciadas nas sensações que a paixão provoca. Muito mais do que pessoas apaixonadas, no sentido romântico da palavra, podemos entender que a busca por este estado é mais pelas sensações percebidas do que pelas pessoas envolvidas", explica o especialista.

Maria Luiza lembra que a paixão pode ser considerada uma necessidade. "Para os antropólogos, a paixão se constitui em um impulso humano fundamental. Assim como se anseia pela comida, água e o instinto materno, a paixão é uma necessidade fisiológica, um impulso profundo, um instinto para cortejar e conquistar um determinado parceiro de acasalamento. Estaria mais ligado às carências humanas do sentimento de completude".

O que as pessoas precisam saber é que paixão alguma é eterna. "Paixão tem começo, meio e fim. Nos apaixonamos muito mais por conta das sensações que a paixão possibilita do que pela pessoa que é alvo", garante Paulo. E infelizmente, as pessoas têm dificuldade em descobrir que não existe relação absoluta, por conta dessa valorização da paixão.

"Na paixão existe a ilusão de que o sentimento pelo outro é incondicional. É importante ressaltar que, na paixão, o foco está sempre no ideal que eu tenho do outro e não no outro propriamente dito. Em outras palavras, nos apaixonamos pela imagem, pelo ideal, pela projeção que temos do outro e não pelo outro de carne e osso".

Maria Luiza afirma que, se resistir, a paixão tende a mudar com o tempo e se tornar um sentimento mais estável. "Aquela paixão louca, o êxtase, o anseio, o pensamento obsessivo, a energia maior se dissolvem. Mas, esta magia pode ser transformada em novos sentimentos de segurança, conforto, tranqüilidade e união com o parceiro. Um sentimento estável, sem medo da perda, sem inseguranças, baseado na confiança. Um sentimento de união feliz com alguém cuja vida se tornou profundamente entrelaçada com a sua. Uma forte ligação afetiva".

Para ela, "é importante que a pessoa possa buscar segurança, conforto, autonomia, intimidade, entre outras coisas, tanto na relação com o outro como na sua própria existência. Que estar só não signifique solidão e abandono, mas sim independência e autonomia".


A dica de Paulo para não sofrer buscando o irrefreável desejo de sempre querer encontrar outro amor assim que um "acaba" é simples. "Veja o resultado que obtém ao sair de uma relação e iniciar, na sequência, outra. Positivo? Negativo? Avalie você mesma!"

Por Sabrina Passos (MBPress)

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