O segredo das mulheres (ou dos homens) apaixonantes

O segredo das mulheres ou dos homens apaixonantes

Quando entrei na sala do curso ministrado por Eduardo Nunes, na zona Sul de São Paulo, estava com os dois pés atrás. Sai com as mãos desamarradas e o coração aberto para uma possível relação mais séria que, sinceramente, não fazia parte dos meus planos. Vou contar.

Eduardo Nunes é autor de livros como "Sedução - Uma estrada de mão-dupla" e "Seduzir - Onde tudo começa" (Editora Novo Século). Não, ele não me seduziu. Nem a mim, nem às quatro mulheres que também participavam do curso, essas sim com o objetivo definido: querem casar. Edu, que não é psicólogo ou terapeuta familiar, se define apenas como "homem" e se propõe a ajudar mulheres, com mais de 25 anos, a encontrar e seduzir o homem ideal, o futuro marido! E, mais divertido do que isso, ensina a lidar com os errados que não saem do pé.

Então, vale dizer aqui que as dicas de Eduardo soaram um pouco como generalização, mas não deixam de ser verdade sob o ponto de vista masculino. Antes de começar o curso, ele pede apenas a garantia de que as mulheres participantes estejam mesmo à procura de um marido, sejam bem sucedidas na vida profissional e, por algum motivo que desconhecem, viraram para-raios daqueles que nada tem a acrescentar e, por isso, estão sozinhas.

O último livro de Eduardo se chama "O segredo das mulheres apaixonantes" foi lançado em 2007 e já está na terceira edição. E é, basicamente, a versão escrita do tal curso do qual participei. Das revelações do pesquisador, a que mais perturbou é a que, realmente, homens e mulheres têm mesmo expectativas completamente diferentes no início da relação. Enquanto você quer ir para o cinema, ele quer sexo. Você quer sair para jantar, ele ainda quer sexo. Você quer receber flores? Não antes do sexo. "O sexo é muito importante para o homem. Isso porque, o maior medo que temos é o da impotência. Se o sexo não funciona com você, o homem não vai insistir. É preciso sintonia na cama para que o resto todo tenha chance de dar certo", resume Eduardo. Sim, eles testam primeiro. Depois escolhem a melhor (num universo bem mais otimista e numeroso para eles). Assim, Eduardo sugere que as mulheres apaixonantes saibam ser amantes de seus homens. Isso significa satisfação plena sob os lençóis.

Essa coisa toda de ser "escolhida" soa machista para nós mulheres emancipadas e modernas, não é? Mas muita calma meninas! O surpreendente é que Eduardo não diz que temos que ser perfeitinhas para sermos escolhidas. O que ele prega é que a malandragem da mulher é fazer tudo para que o homem ache que "escolheu", entendeu?

Além do medo da impotência, parece que os homens têm mesmo um medo enorme da traição. "É por isso que as mulheres apaixonantes precisam ser também ‘mães’ de seus homens, cuidem dele e sejam leais", teoriza Eduardo. O terceiro medo do homem é o do tédio! E aí, ladies, o negócio é ser, além de amante e mãe, amiga do amado. "Isso significa se divertir junto e garantir o entretenimento do casal".

Fora essa pirâmide dos medos e desejos do homem, Eduardo também revela outros segredinhos deles que podem virar armas nas mãos das bem informadas. "Sempre esteja preparada, bem arrumada, depilada. A mulher anda mais segura quando está assim e o homem nota", assegura. "Além disso, tenha uma paixão. Pode ser o filho, o trabalho, viagem, arte ou moda. A mulher apaixonada por alguma coisa é muito mais atraente e empolgante", completa.

Ter uma paixão ajuda os homens a definirem o seu grau de relevância dentro de uma relação. "Se uma mulher deixa de ficar com o filho uma noite ou perde uma viagem especial por minha causa, pressuponho que sou importante para ela e dou valor a isso", garante o "coaching das relações", que há 20 estuda e tabula dados sobre o assunto. Ele sugere ainda que as mulheres se preocupem mesmo com a lingerie. Quando eu, bobinha, soltei aquela frase clássica, afirmando que o homem nem dá muita bola para isso, ele soltou, categórico: "homem medíocre não dá bola. Você quer um medíocre para você?". Quase caí da cadeira, mas entendi a mensagem.

Edu também fala sobre a importância de não se perder tempo com o homem errado - quando se está nessa fase de busca do ideal. "Se estiver na dúvida se ele corresponde às suas expectativas, chute-o", ensina. "Assim deixa as portas abertas para chegada do certo". E aprendi que não é preciso ter medo de assumir, por exemplo, a vontade de casar ou ter filhos. "O homem certo não se assusta com essa informação".

Talvez o "segredo" mais importante seja um do lado de lá, mistério do clube do Bolinha. Segundo Edu, quando um homem realmente deseja uma mulher e está bem intencionado, não faz rodeios. "Você é a primeira a saber", frisa. Isso porque enquanto nós somos bombardeadas com hormônios malucos e mudamos de ideia na velocidade da luz, eles são "seres binários". "Para o homem ou é sim, ou é não. Ou é zero, ou é um. Ou ele está apaixonado. Ou não adianta tentar, você não vai convencer". E nem sofrer quando ele não liga no dia seguinte. Pense que foi melhor assim!

Outra coisa importante que Eduardo explica são os quatro tipos de mulheres que o homem enxerga - diferente de nós, que listamos uma infinidade de subcategorias dentro da mesma espécie. A "inconseqüente" é a primeira, com quem ele não leva relação qualquer adiante (a não ser as superficiais). A segunda é a "cadastro", com quem ele mantém certo contato, principalmente quando quer diversão e sexo. A próxima, "cadastro especial", tem tudo que a "cadastro" oferece, mas mora sozinha e ainda garante o melhor café da manhã do mundo. Finalmente (e não necessariamente nessa ordem de relevância) ele enxerga ainda "a certinha", pra casar! "Apenas para essa última ele se revela verdadeiramente, pode apostar".

Com tudo isso - que convenhamos está longe de ser o segredo da esfinge - bem explicado, quase desenhado para nós, mulheres, dá até vontade de investir numa relação mais certa. Abrir o coração para possibilidades. Baixar a guarda. Deixar acontecer com mais naturalidade e bem mais preparada.

Eduardo palpita que, em seis semanas, as mulheres que fazem seu curso acabam comprometidas com homens legais - e podem até vislumbrar o altar. Eu duvido um pouco. Mas confesso que os pezinhos que estavam lá atrás, já caminham bem mais saltitantes. Quem sabe Papai Noel não traz meu príncipe encantado? Não, não vai rolar. Aprendi que, assim como Papai Noel, príncipe encantado não existe. Mas até lá, quem sabe não esbarro ou sou felizmente apresentada ao homem (bem real) da minha vida? Vai saber...


*Sabrina Passos foi convidada a assistir ao curso de Eduardo Nunes e, mesmo avessa ao casamento, topou o desafio. Descobriu que a vida a dois, sob o mesmo teto, é o sonho de muita mulher. E pode ser sim o dela.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente