O outro lado da traição

O outro lado da traição

Não dá pra negar, a traição destrói. E sem força para juntar os caquinhos do coração partido, muita gente cai numa fossa sem fim, numa depressão cinza. Mas tem gente que transforma a raiva em energia para elaborar as piores vinganças contra aquele que deixou tudo em pedaços.

Mas o melhor, mesmo que a vontade de tripudiar sobre o outro seja gigantesca, é respirar fundo. A vingança pode virar motivo de processo na justiça - e você acabar pagando, mais uma vez. "Se a pessoa intencionalmente destrói algo que é de outra, ela pode responder pelo crime de dano", explica a advogada Samantha Pelajo, do Rio de Janeiro. "A melhor alternativa é sempre considerar que aquele relacionamento deixou de ser funcional, razão pela qual deve ser desfeito para que outras experiências mais positivas possam ser vivenciadas".

Em 2005, o adultério deixou de ser crime no Brasil. Mas, dependendo do tamanho do estrago emocional, a vítima pode processar quem a magoou. "O traído pode entrar com uma ação por danos morais se ele conseguir comprovar que o descumprimento do dever do casamento e do dever de fidelidade gerou um dano significativo", diz a advogada.

O problema é que, como a culpa precisa ser comprovada - e a Constituição veda a violação da privacidade -, a justiça acaba não muito receptiva à essa modalidade de separação, litigiosa. "Se algum dos cônjuges estiver realmente determinado a obter algum tipo de compensação pelo dano sofrido, deve pleiteá-la no Judiciário", explica Samantha. Mas na maior parte dos casos, como ela bem lembra, o que as pessoas buscam é o resgate de sua sensação de autovalia. "E isso, o Judiciário não vai proporcionar. A mediação de conflitos mostra-se bem mais adequada, efetiva e oportuna nesses contextos", sugere.

A blogueira e jornalista Celamar Maione arrumou um jeito diferente de se "vingar". Aproveitou o talento com as palavras para contar as mentiras e traições do ex num blog. "Não era uma vingança, queria apenas acalmar meus sentimentos. Acho que na época era, simbolicamente, uma forma de não deixar a relação morrer", conta ela, que assina o blog MeuQueridoAmigoCafa (meuqueridoamigocafa.blogspot.com) há um ano.

"Contar a minha história com ele me ajudou a superar a dor", conta. Celamar nunca cogitou o medo de ser processada pelo ex por conta da exposição. "O mal que ele tinha pra fazer, já me fez. E eu nem cito o nome dele no blog, não tem como ele me processar. Além disso, sempre tomei cuidado para não expô-lo e sei até onde posso escrever. A única pessoa exposta no blog sou eu". Em entrevista ao Vila Dois, ela fala mais sobre essa experiência.

O blog foi um jeitinho sutil de se vingar?

Não deixa de ser uma vingança, né? Não sei se sutil, mas me fez e vem me fazendo muito bem. Conheci virtualmente muita gente interessante. Ganhei ótimos comentários. E ainda vou, se tudo der certo, transformar o blog em livro. Já apareci no Fantástico. Leram uma carta que o ‘Cafa’ me mandou no programa "Saia Justa". Estou sendo entrevistada por você, e tudo naturalmente. Acabou virando uma bela vingança. Mas uma vingança branca. Não aconselho violência e nem baixaria. Até para se vingar devemos agir com inteligência e serenidade.

Acha que assim fica mais fácil de superar a traição e as mentiras?

Fica. O blog exorcizou minhas angústias. Só não vale sofrer a vida inteira. Tudo passa. Mas existe o momento do luto e não podemos fugir dele. Temos que enfrentar. Admitir o sofrimento amadurece. Já disse, alertar outras mulheres acaba nos fortalecendo.

O adultério não é mais crime, mas algumas pessoas processam os traidores por danos morais. Pensou em fazer isso?

Nunca. Não fomos casados. Nem assinamos contrato. Não tenho raiva dele. A raiva passou. Secou. Não vou prejudicá-lo.


Hoje você namora, é casada... como os seus outros namorados encararam a tua atitude?

Faz um ano que minha relação com o ‘Cafa’ terminou. Durante esse tempo, tive algumas paqueras, nada sério. No momento, estou preocupada com outras coisas. Namorar não passa pela minha cabeça. Mas se eu arranjar um namorado e ele não aceitar minha história, paciência.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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