O feminismo e o cavalheirismo podem conviver?

O feminismo e o cavalheirismo

Vamos acabar com a guerra dos sexos? Foto/© Corbis

Os clichês e estereótipos rondam a nossa sociedade predominantemente machista. Queremos deixar bem claro que quando falamos em machismo, ou machistas, não nos referimos somente a homens. Algumas mulheres acabam ajudando a perpetuar o machismo clássico, aquele que nos é jogado na cara, muitas vezes disfarçado e chamado de proteção.

E sabem por quê? Porque elas também foram criadas nesse ambiente, onde a mulher precisa ser protegida a todo custo, mantida numa redoma a salvo dos perigos do mundo. Mas, ainda tem gente que conserva os antigos hábitos, os piores. Quem tem ou teve um pai e avô conservadores sabe bem do que estamos falando.

Nossos homens também se veem em meio e essa "guerra dos sexos" e também precisam se transformar para poder amar e conquistar essa mulher, que hoje em dia, pode e quer tudo. Eles também sofrem com isso, mas não admitem.

Parece um texto antigo, de uma história antiga? Mas não é. O machismo está entre nós, assim como o feminismo. Mas o que é esse feminismo de hoje? Ele ainda serve para alguma coisa? Serve sim e muito, só que o conceito dele parece ser meio confuso para muitos homens e creia-me, para as mulheres também.

Estamos uma época de mulheres tão fortes e bem sucedidas que abriram mão do homem, do que ele representa, e junto com isso foi-se embora o cavalheirismo. Já que a palavra é usada no gênero masculino.

Não é isso que as mulheres querem, viver sem homens, muito pelo contrário. O feminismo é o direito de ser mulher, com tudo o que isso significa, com força e fragilidade, com TPM, e com o amor e a liberdade que todas precisamos. As mulheres querem um companheiro, do tipo que é muito mais que um amante. Aquelas mulheres que queimaram sutiãs, não queriam passar a vida sem homens, elas queriam apenas serem felizes, sem opressão.

Não pode existir o tal pensamento de que "hoje em dia ninguém precisa de homem para nada, a não ser para sexo", isso é um sentimento muito raso, sem nenhuma lógica. Sabemos que isso é tudo pose. As pessoas ficam juntas, se casam, ou seja lá qual tipo de relacionamento escolhem para si, porque querem, e pelo simples prazer da companhia da jornada. Simples assim.

A questão é bem maior do que decidir quem paga a conta, ou de que lado da rua você caminha ao lado dele. Estamos mexendo em erros que nos precedem em séculos. São muitos anos de opressão e de falta de autonomia. Trata-se de viver uma época em que ninguém ao menos pensa, sem errar feio, que uma mulher, não pode ser ou fazer simplesmente tudo o que ela quiser.


Por Giseli Miliozi

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