O dilema da amiga traída

O dilema da amiga traída

Você, sem querer, descobre que sua melhor amiga está sendo traída. O namorado foi flagrado na balada ou num restaurante romântico com outra mulher, no maior clima. A sua consciência diz o quê? Saia correndo na hora e conte para a amiga? Tire satisfação com o traidor e peça que ele abra o jogo? Faça cara de paisagem e esqueça tudo, como se nada tivesse acontecido?

O dilema do amigo que descobre a traição alheia é pesado. Porque a simples revelação pode, além de levar à separação do casal, acabar com uma amizade sincera. Isso porque, Vilamiga, nem sempre sua BFF (best friend forever) vai entender que seu alerta é pura preocupação e nada tem a ver com inveja ou ciúmes. Lembre que mulher é quase sempre um ser bem estranho de se lidar...

A situação é mesmo muito delicada e a chave do dilema é "contar ou não contar"? "Essa é uma armadilha na qual muitas pessoas caem e ficam dilaceradas entre o sentimento de culpa de saber e não contar e se manter alheio, e o sentimento de responsabilidade de saber e se ver compelido a contar como se fosse esta uma questão de lealdade", diz a psicóloga Maria Cristina Capobianco, de São Paulo.

Ela acredita que, se um amigo está sendo traído e ele não enxerga, é neste ponto que reside a questão principal. "O que será que acontece com ele para ficar tão cego a esta traição? Esta cegueira, ou resistência a enxergar, frequentemente incita aos que estão ao seu redor a perceber, a sentir", pondera.

Muitas pessoas traídas negam a situação por medo de uma reação raivosa do traidor ou, até mesmo, da possível perda desta pessoa. "A palavra traição é muito ‘culpabilizadora’ é não permite problematizar o que está acontecendo com a relação. Talvez a pessoa que trai o faz para mostrar para o outro que precisa de algo mais na relação. Então é importante se distanciar da armadilha de pensar que quem trai é vilão e quem é traído é a vítima". E esse conselho pode valer para o amigo que, assim que sabe da traição, quer ir logo contar para o mundo.

É importante lembrar que a traição pode causar muito sofrimento, mas também pode trazer uma renovação para o casal, se os dois se permitem refletir sobre a crise. "É muito difícil para os amigos próximos acompanhar este processo, pois o contar pode ser sentido pela pessoa traída como uma violência à relação", explica Maria Cristina. "Quando se negam os conflitos, quem quer mostrá-los é agredida ou afastada por quem não quer ou não pode enxergar".

A psicóloga acredita que o que pode ajudar, nestes momentos, é tentar fazer a pessoa refletir sobre a relação, falar dela, questioná-la, ajudá-la a enxergar o que está acontecendo, sem necessariamente falar sobre a traição. "A traição é como o sintoma de uma neurose, é o que está do lado de cima do iceberg, não se sabe o que está embaixo da água. Tratar o sintoma não significa que estamos lidando com a doença, o sofrimento está em outro lugar", analisa.


O certo mesmo é conter a vontade de contar impulsivamente. O mais eficaz é ajudar a amiga a enxergar por ela mesma. E ser companheira o suficiente para suportar a dor que vai crescer bem ao seu lado.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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