O desabafo de meu marido e o inicio da queda da amante

Olhei a data no calendário e me assustei. Já passava de um mês que eu enfrentava o desenlace cruel no meu casamento. Mais de um mês de medo, insegurança, raiva e frustração. Agora parecia fazer sentido meus remédios para dormir, minha antena ligada e a depressão... as pessoas bem diziam que alguma coisa estava errada. E estava. Só eu não sabia. E ... sei que as pessoas corajosas não falam assim... mas por Deus... como eu gostaria de não ter tido conhecimento. Continuar na completa ignorância de fatos podres vindos de pessoas tão amadas...

Tínhamos viagem marcada para nossa casa no pantanal com um grupo de amigos. Há cinco anos viajávamos juntos. Éramos 9 casais esse ano e todos muito unidos. Iríamos mesmo? Meu marido iria cancelar a viagem por causa da amante? Estaria ele querendo ir com ela? E nossos amigos? Me senti injustiçada. Putz... meus amigos na verdade, eram clientes e amigos de meu marido. Minhas amigas, as esposas destes com as quais simpatizei, descobri afinidades... Mais uma vez fiquei sem chão. Eu tinha poucos amigos. Mas... acabamos fazendo a viagem, motivo pelo qual sumi durante uma semana. Estávamos acompanhados de apenas mais um amigo e nosso filho. Na viagem enquanto escutávamos as músicas de sempre minha cabeça dava voltas e mais voltas. Eu que havia tido uma crise nervosa há poucos dias, tive outra e chorei muito. O marido perguntou o que era, eu não respondi e ele não insistiu.

Lá chegando um novo casal nos foi apresentado. Eram parentes de um dos antigos casais de amigos. A mulher ótima cozinheira mandava no marido o tempo todo e ele obedecia cegamente. Eram engraçados e divertidos. Nos demos bem de imediato. Tivemos jogos e um concurso de tiro ao alvo. Tiro de verdade. Eu acertei TODOS. Fui colocada para disputar com os homens e minha torcida era inflamada. Vi meu marido orgulhoso e com uma ponta de medo no olhar. Era bom mesmo. Fiquei em segundo lugar. Fui vencida apenas pelo meu filho.

Fomos visitar e pescar em uma grande fazenda no pantanal. Era de meu antigo patrão (aquele do celular). Lugar lindo! Muito gado nelore. Muitos empregados. Pista de pouso. Fosse eu um pouquinho interesseira e não gostasse tanto de meu marido, poderia estar ali via jatinho quando bem entendesse. Com dinheiro e poder. Ele ( o ex patrão) já tinha mostrado interesse e voltado para falar comigo outras vezes. Não vou ficar esticando conversa aqui e contando tudo ok? Senão vocês se enchem de mim também. ..

Fiquei olhando o silêncio e a sisudez do lugar em contraste com a alegria e descontração do nosso grupo. Quem precisava de mais dinheiro? Pelo jeito, só meu marido precisava de carne nova... bosta! (desculpem).

No segundo dia ao voltarmos da piscina Neide, minha nova amiga, em meio ao barulho, me disse que todas as vezes que me olhava eu estava sorrindo e isso era muito bom. Me disse então que eu parecia ser a mulher mais bem resolvida da face da terra. Ela não devia ter dito isso porque eu me debulhei em choro abraçada a ela. Claro que ela ficou desentendida. Me afastei para chorar e meu marido veio para falar comigo. Não aguentando chorei muito e lhe falei da minha tristeza pelo que estava acontecendo conosco. Ele tentou ser ainda mais cruel e também desabafou suas mágoas em cima de mim. Disse que sonhara durante toda a vida com o dia em que não me amaria mais. Disse que eu só me importava com o trabalho (mas gente... eu estava TRA-BA-LHAN-DO... na ocasião nós mal tínhamos o que comer). Ele continuou e disse que eu não o conhecia, não era sua parceira, não sabia da sua vida e completou dizendo que eu só dizia que o amava agora porque já o tinha perdido. Que eu estava tentando dar jeito no que não tinha mais jeito. Falei pouco mas lembrei-lhe do gênio impossível que tinha. Nunca me deixava aproximar e eu tentava respeitar o seu jeito. Disse que estava sempre pronta a lhe escutar e não tinha como fazê-lo falar se ele não queria. Tentei reviver os momentos em que eu tentava ser carinhosa e era repelida. Dos momentos em que me aproximava e era escurraçada.

Senti uma punhalada no peito quando ele disse que já tinha criado os filhos e que agora sua missão comigo estava cumprida. Que ele agora estava livre.

As pessoas começaram a ficar incomodadas com nossa ausência e aos poucos um ou outro se aproximava interrompendo o decorrer da conversa.

Meu marido se virou para sair e eu o segurei. Falei-lhe então que compreendia que ele estava passando por uma crise mas que eu o amava acima de tudo. Que nosso casamento era demasiadamente importante para mim. Que nossa história era muito bonita para ser tratada daquela forma e sobretudo se ele não via o quanto os amigos nos invejavam... Lembrei-lhe então que ele sempre fora livre como era livre naquele momento. A única coisa que eu tentava fazer era lhe dar uma chance para não se arrepender mais tarde. Disse-lhe que me humilharia e estaria ao seu lado porém eu não sabia o quanto poderia aguentar e uma vez resolvida a nossa situação eu lhe garanti que jamais teríamos volta porque ele não iria conseguir superar o que eu também iria fazer. Ele que geralmente pedia explicação quando se sentia ameaçado, ficou calado.

As lágrimas escorriam em meu rosto enquanto eu falava essas coisas. E do nada ele então me disse que havia chorado por mim inúmeras vezes, havia me amado mais que a ele mesmo. Disse que um simples beijo meu já significara mais que muito dinheiro para ele. Eu o abracei e pedi-lhe colo. Falei o quanto contava com ele. O quanto ele era a minha vida. O quanto eu não soube desse amor tão louco. Disse-lhe que crises vem e passam e poderíamos tentar passar mais essa e mostrei-lhe que eu estava ali. Ao lado dele. Para ele. Por enquanto...

Eu estava magra e sabia que ele gostava do tipo de roupa que eu vestira. Estava de saia branca, curta que evidenciava minhas pernas torneadas e agora bronzeadas. Uma blusa amarela muito bonita evidenciava minha cintura fina onde ele ficou abraçado. Eu tinha também feito um novo corte nos cabelos louros e estava com uma marca bonita de biquini.

Fizemos amor nos três dias restantes de forma maravilhosa. No quarto, no banheiro, na lancha, nas ilhas. Não foi romântico mas recomeçamos a nos beijar na boca e a transa foi muito mais gostosa. Pescamos juntos, caçamos juntos, cozinhamos juntos e nos abraçamos muito.

Voltamos para casa e as baterias dos celulares foram carregadas. Quando ele abriu, o primeiro nome que pulou na tela foi o da amante. E eu vi. Ele apagou depressa e eu fiquei olhando o nada. Tive medo mas era hora de arriscar. Perguntei então se eu havia visto o nome dela. Ele negou. Negou veementemente. E eu percebi que eu fizera algum progresso... Fui tomar banho e tive vontade de encontrar aquela mulher e matá-la. Como alguém se atrevia a estar entre nosso amor? Como uma vagabunda pretendia entrar no meu lar e destruir tudo? Eu usaria as mesmas armas que ela e já havia começado... Meu choro real e o sabonete que caiu sem querer nos olhos fizeram meu marido perceber que eu chorara. Ele então me abraçou e fizemos amor de forma gostosa mais uma vez.

Eu sabia que o número e o nome daquela mulher haviam saído do seu celular. Eu o estava reconquistando e em breve ela seria um passado tão insignificante quanto eu esperava, seriam as mágoas e o lixo que eu jogaria na escuridão onde jamais poderiam ser encontrados.

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