O amor está na rede

O amor está na rede

Foto: divulgação

Desde que a internet invadiu a vida das pessoas comuns como nós, o jeito de fazer as coisas passou a contar com esse estranho mundo virtual. Pagar conta, falar com amigos, estudar, trabalhar e, claro, namorar, são verbos super reais no universo digital. Com o amor cada vez mais virtualizado, conhecer pessoas e manter a relação depende, e muito, do que rola no mundo dos bits e bites.

A publicitária Erica Queiroz mergulhou de cabeça nesse mundo dos amores virtuais e, feliz da vida, encontrou o seu. Entrou na onda de sites de relacionamento quase sem querer, mas foi quando decidiu encontrar um amor que passou a buscá-lo com intensidade. E funcionou. Para dividir a experiência e provar que há grande disponibilidade de homens e mulheres solteiros, de todas as idades, desejando ser encontrados também, ela escreveu "O amor está na rede" (MBooks, 2010). "Acho que estamos passando por uma mudança que veio para ficar", garante a autora.

A ideia de escrever o livro surgiu da vontade de eliminar o medo e o preconceito que muita gente ainda tem de conhecer alguém via Internet. Segundo Erica, se as pessoas souberem se proteger, encontrar alguém no mundo virtual pode ser tão seguro quando aquela conversa ingênua de bar. "As possibilidades na rede são infinitamente maiores. E, talvez para surpresa de muitos, acho os riscos bem menores, porque você tem muito tempo para pesquisar sobre a pessoa, ver se ela se contradiz, se está disponível em horários-chave (à noite e finais de semana, por exemplo), até partir para o encontro cara a cara".

O livro ajuda a desvendar os mistérios dos sites de relacionamento e até a criar um perfil que atraia bons partidos potenciais. Além disso, dá dicas de como se prevenir de golpistas e até casados. E, melhor ainda, indica os passos do primeiro encontro e como o internauta - agora já no mundo real - deve agir. Segundo ela, é preciso lembrar que não há um tempo certo para o primeiro encontro, que só deve rolar quando a pessoa estiver extremamente seguro de que o momento chegou. Fora isso, valem as dicas básicas de etiqueta, vestir-se adequadamente, não mascar chicletes, não se embebedar... "Mas a dica mais importante é marcá-lo sempre num lugar público e não aceitar carona, nem na ida, nem na volta. A partir daí, as chances de dar certo aumentam, mas vale lembrar que, apesar de todas as afinidades, pode não haver química no encontro presencial", adianta.

Erica, que tem sete anos de experiência em sites de relacionamentos e hoje atua como coach em assuntos do coração, conversou com o Vila Dois e falou mais sobre esse guia sobre relacionamentos online. Segundo ela, o grande amor pode estar à distância de um clique!

Você acha que, hoje, conhecer alguém legal pela internet é mais fácil do que no mundo real? Os riscos e possibilidades são os mesmos?

Eu tenho certeza de que conhecer alguém pela net é muito mais fácil do que no mundo "não-virtual" (prefiro chamá-lo assim, pois o mundo virtual é real também!). Pense bem: com alguns cliques, você pode conhecer pessoas compatíveis com você no mundo todo. Num site de relacionamentos, você faz uma pré-seleção dos candidatos de acordo com critérios escolhidos por você mesmo. E vários perfis são encontrados, até mesmo centenas deles, se você procurar numa cidade grande como São Paulo e num site de relacionamentos com vários usuários cadastrados. Se você vai a um bar, por exemplo, pode encontrar pessoas que talvez tenham classe social similar à sua, mas não sabe os gostos, os estudos, os objetivos... Você escolhe apenas pela aparência. E, depois da primeira "olhada panorâmica", quantas pessoas sobrarão? Duas ou três? Mas após conversar com elas, talvez nenhuma lhe agrade...

Na sua experiência, percebe que há muita gente disponível na rede - e com o objetivo comum de encontrar um amor de verdade?

Sem dúvidas. Há gente buscando só sexo, amizade, encontros casuais... Mas há muita gente buscando amor. Essa é outra vantagem que vejo na rede: você já sabe, inicialmente, qual o objetivo da pessoa, pois ele está descrito em seu perfil. E, novamente, se você está num bar, não sabe se a pessoa com quem está flertando só quer sexo, ou algo mais sério...

Como saber que a pessoa do outro lado está sendo sincera? Alguns sinais podem ajudar o internauta a evitar ‘más companhias’?

Mentiras sempre existiram e a internet pode facilitar a sua detecção. Se uma pessoa nunca está disponível nos finais de semana e quase nunca atende o celular, é muito provável que seja comprometida ou mesmo casada. Essa é uma dica essencial. Outra dica infalível: você pode gravar as conversas no seu computador e depois de um tempo repetir, mesmo que de outro modo, as mesmas perguntas, para ver se as respostas são as mesmas. E, se houver mentiras, provavelmente aí você já pegará algumas. Pessoas que já se dizem apaixonadas logo de início são prováveis candidatos a golpistas!

Acha mesmo que "o amor está na rede" - e que as relações sociais hoje dependem muito da internet (tanto para começar quanto para se manter)? Por que?

Claro que nem todo mundo vai encontrar o seu amor na rede. Mas hoje mais de 20% das uniões do mundo todo já são de pessoas que se conheceram online. Talvez pela facilidade que já mencionei: você consegue procurar uma pessoa com inúmeras das qualidades que julgar essenciais, em questão de cliques. No entanto, para quem for tímido, separado, viúvo, ou mais velho, cujo círculo social dificilmente irá se ampliar, a rede é, sem dúvidas, o melhor meio de encontrar um amor. Hoje não vivemos mais sem a rede, reencontramos amigos de infância nas redes sociais e assim, mesmo que não falemos com eles com frequência, sentimos um estranho conforto ao saber que eles estão lá. Arrisco dizer que, num futuro próximo, mais de 50% dos relacionamentos são derivados de contatos iniciados online.

Qual a dica para criar um perfil interessante e que atraia ‘bons partidos’ na web?

Uma dica imprescindível é ser verdadeiro. A outra é se destacar, escrevendo coisas interessantes sobre si e preenchendo todos os campos disponíveis no site. E, sem dúvidas, principalmente no caso das mulheres, a melhor dica é colocar uma foto que ressalte seus pontos fortes. Os homens são extremamente visuais e adoram uma foto atraente - se não houver foto no seu perfil, você quase não recebe visitas.

Você indica alguma rede ou site específico? Como escolher um site legal para se cadastrar e começar a procurar um amor?

Eu indico sites que sejam bem conhecidos no mercado (é só procurar na primeira página do Google que os melhores estarão lá). Sites de grandes portais também são bastante confiáveis. No entanto, se você buscar alguém com uma religião específica, por exemplo, é melhor se cadastrar num site apenas para candidatos daquela religião. O mesmo é válido para os homossexuais - hoje há sites exclusivos para eles. Assim, a busca fica mais direcionada e ninguém perde tempo. Quase todos os sites permitem a criação de um perfil gratuito, com acesso limitado aos serviços. Deste modo, a pessoa poderá testar alguns deles, ver de qual gosta mais e escolher o mais adequado, antes de pagar por ele. Só não recomendo sites que sejam totalmente gratuitos, que não cobrem pelo serviço oferecido, pois eles facilitam a entrada de golpistas.

Pode contar como foi a sua experiência amorosa na rede?

Eu entrei nessa história de sites de relacionamentos totalmente sem querer. Quando decidi, finalmente, buscar um amor, levou cerca de um ano (mas eu não estava buscando o tempo todo, dava uma olhada aqui, outra ali, ficava meses sem entrar no site... também fiquei seis meses sem foto e colocá-la no perfil fez toda a diferença!). Portanto, considero que tenha sido um processo rápido. A facilidade vem com a experiência.


Quais eram suas expectativas?

Queria encontrar um grande amor, um grande parceiro. A minha história é lindíssima e creio que uma das mais especiais. Sabe quando você e a outra pessoa têm tantas afinidades e coincidências na vida que você nem acredita que aquilo está acontecendo? Aquela coisa de almas gêmeas mesmo? Mais detalhes... só no livro!

Por Sabrina Passos (MBPress)

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