Nossa Senhora das Balzaqueanas ou... O Príncipe

Sabem o príncipe encantado? A novidade é que assim como papai Noel ele não existe. Mas como muita gente por aí acredita em duendes e fazem teorias esotéricas a esse respeito, ainda tem um montão de mulheres acima de 30 que acreditam no maldito sapatinho de cristal, ainda que neguem de pés juntos em frente ao altar de nossa senhora das balzaqueanas loucas e supostamente cínicas.

No fundo, e sejamos francas, nem precisa ser tão fundo assim, procuramos no pobre sapinho com quem nos relacionamos, trepamos ou sei lá mais o que modernamente se inventa, esse Príncipe Encantado, cada uma com seu conceito, algumas com umas construções muito peculiares, cada uma com seu pathos, com seu ethos, mas cada uma com a porcaria de um ideal que macho nenhum vai jamais se encaixar. É até injusto com os coitados.

Nos colocamos e nos idolatramos Bridget Jones nas telas, compramos as comédias românticas de Hollywood, os softporn pseudo-intelectuais europeus e eles juram que só querem a morena do Tchan. O que dizer de criaturas assim? Alguns se sofisticam mais, querem mais do que a morena do tchan, e ao mesmo tempo menos, e ficamos na incômoda posição de cinderellas cujos pés não cabem na meleca do sapatinho que eles trazem para a gente. Mas regra número um: a culpa é sempre deles.

Eterno lugar comum esse "I say hello, you say goodbye". Estou de saco cheio dele. Completamente. Parece que todas as relações humanas acabam nesse impasse ridículo. Ele não podia ser exatamente como eu pedi para papai Noel no natal de 1970? (Sim, eu não tinha nem um ano, mas aposto que já tinha meu esqueminha perfeitamente montado).

Não, a culpa é sempre dele, e se me acabo em vinho horrivelmente avinagrado, em bolas, e se quero me chapar até não ser diferente do asfalto em que ele pisa... a culpa é dele. Se fico feliz como se tivesse vindo ao mundo naquele minuto e achado um barato o dia dois de fevereiro, ensolarado como tem de ser, perto do carnaval, a cidade enfeitada, com uma ansiedade festiva, coisa de férias mesmo, é culpa dele também. É por ele que me quero melhor, mais bonita, mais qualquer coisa e menos outras tantas. Se me fecho em casa quando amo tanto a rua, a noite e a cidade é por causa dele, por que nada tem graça sem ele, e olhem que eu sempre me achei ótima companhia para mim mesma.

Ou seja, a culpa é dele que preenche tanto os meus espaços que a ausência dele, a impossibilidade dele, deixa um vácuo tão grande que eu não consigo preencher de jeito nenhum.

Mas que ele é esse? Será realmente o homem que eu amo, ou o que eu quero e preciso amar? No final a dor é a mesma, pois dá tudo no mesmo. Meu sapatinho de cristal perfeito. Ou seja, moçoilas, Val acredita na droga do príncipe encantado. E por ele é feita a luz, entendem? Acendam uma vela por mim na igreja de nossa senhora das balzaqueanas loucas e cínicas... ando precisando de uma ajudinha dela...

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