No ritmo do zouk

“A dança é capaz de aproximar e separar casais”. A frase é da dançarina Tiná Mattos (no vídeo), que tem como o zouk, o forró, a gafieira e outras danças de salão suas paixões.

Durante as aulas particulares (individuais, para casais ou em grupos) e principalmente em baladas, quando ela se apresenta ou ensina os passos sensuais aos solteiros, ela já viu muita gente se aproximar. Entre um movimento e outro, principalmente dos quadris, surgiram vários namoros e até casamentos. “É muita paquera, mas, às vezes, as mulheres precisam impor um certo respeito” , comenta.

Tiná explica que em baladas, o zouk love ou neozouk é o mais comum. O nome já diz tudo. Nesta variação, a música tem batidas mais românticas, que inclui pop, black ou árabe. Os movimentos são de encaixe, redondos, sinuosos e lentos, com direito a rosto e olhar mais próximos. “O cambrê (quando o homem deita a mulher), por exemplo, é um movimento bem sensual de evolução bastante devagar”, acrescenta.

Nas aulas, o zouk mais lento serve como base para melhorar a musicalidade e expressão corporal dos alunos. As mulheres são maioria na classe, e muitas vezes buscam no aprendizado do zouk, uma forma de superar decepções amorosas, ou mesmo encontrar um parceiro ideal, na dança e no relacionamento.

Os alunos aprendem movimentos conforme o andamento da música. Ao contrário da lambada, semelhante ao zouk só que mais frenética, o ritmo possibilita mais passos e giros. “Era a lambada da década de 80 que foi se modernizando, por isso é conhecido também como lambada-francesa”.

Zouk significa "festa" no dialeto creole, uma mistura francês com línguas africanas. A base rítmica da dança, que veio das Antilhas Francesas (ilhas do Caribe de colonização francesa), tem raízes na cultura árabe, a mesma encontrada em países como Espanha e Portugal. Tiná explica que nos lugares de origem a forma de dançar não é a mesma praticada por aqui.

Atualmente, o ritmo caribenho está em vários campeonatos pelo Brasil e mundo. Na região da Baixada Santista, litoral de São Paulo, Tiná foi a primeira que começou a organizá-los e acrescentar o ritmo em aulas de danças de salão e projetos em casas noturnas, isso há cinco anos. Para 2009, ela está preparando o 3°Campeonato de Zouk-Baixada Santista.

No início da carreira, Tiná não encontrava um parceiro que soubesse dançar a lambada moderna, então ensinou os passos do zouk para o seu namorado. Depois de alguns anos, com o término do namoro, a bailarina conheceu outra pessoa e também ensinou a dança de forma avançada. "Ele acabou ganhando o compeonato que organizei, com uma amiga na época".

A dançarina diz que não teve muita sorte nos seus relacionamentos, mas não descarta a possibilidade de conhecer uma nova pessoa no universo do zouk. “É comum as pessoas se envolverem. Foi o que aconteceu comigo. Não planejava nada. A parceria na dança trouxe a amizade, depois o namoro e, quase, casamento”, diz.

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O casório aconteceu mesmo entre os seus alunos. Em dos projetos que Tiná organizou para, ela apresentou Márcia a Claudio, que começaram a treinar os passos juntos. Eles se conheceram melhor e através da dança se apaixonaram, "o casamento foi uma consequência".

Por Juliana Lopes

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